Ruas de Memória

Viaduto 31 de Março, no Brás, passa a ter nome de Therezinha Zerbini

Viaduto, que antes homenageava a ditadura, terá nome da advogada que foi uma das principais ativistas pela anistia política no Brasil

Instituto Vladimir Herzog
Therezinha Zerbini

Therezinha Zerbini, que morreu em 2015, foi uma das fundadoras do Movimento Feminino pela Anistia

São Paulo – O Viaduto 31 de Março, no bairro paulistano do Brás, terá o nome alterado para Therezinha Zerbini, deixando de homenagear o golpe de 1964 para exaltar a memória de uma das principais ativistas pela anistia no Brasil. Depois de tramitar desde o final de março de 2017, o projeto foi aprovado e tornou-se a Lei 16.846, sancionada pelo prefeito João Doria (PSDB). Estranhamente, no decreto de sanção não consta a assinatura da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania.

De autoria da vereadora Adriana Ramalho, líder do PSDB na Câmara, o projeto tem inspiração no programa Ruas de Memória, criado na gestão de Fernando Haddad (PT), para alterar nomes de logradouros públicos que façam referência a personagens ou eventos da ditadura civil-militar (1964-1985). O programa foi criado justamente pela Secretaria de Direitos Humanos, atendendo a recomendações do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) e da Comissão Nacional da Verdade (CNV). Ativistas criticam a atual gestão. 

De acordo com o Legislativo paulistano, a capital tem 40 nomes de ruas ligados à ditadura – 22 ligados diretamente à repressão. No ano passado, contrariando entidades de direitos humanos e sua própria secretária, a gestão Doria não vetou projeto que homenageava o ex-diretor do Dops Romeu Tuma. 

“Therezinha Zerbini foi assistente social, advogada e ativista de direitos humanos. Dedicou-se em vida à luta pela anistia de exilados e presos políticos”, afirmou a vereadora. Fundadora do Movimento Feminino pela Anistia, ela morreu em março de 2015, aos 87 anos.