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censura ao rap

Rappers da Batalha da Matrix denunciam boicote do prefeito de São Bernardo

Na noite desta quinta-feira (8), protesto pela liberdade de expressão dos jovens da periferia local, em frente à casa do secretário de Cultura da cidade, terminou com repressão da GCM
por Felipe Mascari, da RBA publicado 09/02/2018 14h42, última modificação 09/02/2018 17h21
Na noite desta quinta-feira (8), protesto pela liberdade de expressão dos jovens da periferia local, em frente à casa do secretário de Cultura da cidade, terminou com repressão da GCM
Daniel Oliveira
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Desde 2013, a Batalha da Matrix é realizada toda terça-feira, às 19h, na praça da Igreja Matriz, no centro de São Bernardo

São Paulo – Manifestantes e integrantes da Batalha da Matrix denunciam a gestão do prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (PSDB), de "boicotar" o tradicional evento de rap da cidade do ABC paulista. Na noite desta quinta-feira (8), eles realizaram um ato, que terminou com repressão da Guarda Civil Municipal (GCM).

Os jovens foram até o prédio onde reside o secretário municipal de Cultura, Adalberto José Guazzelli, para contestar a decisão da prefeitura de não liberar o evento organizado para comemorar os cinco anos da batalha, previsto para o mês de maio, no Parque da Juventude Città Di Marostica. No fim da manifestação, a GCM atirou bombas e um jovem foi ferido na barriga.

"Desde o começo, eles (GCM) estavam procurando um motivo para atacar a gente. Primeiro mandaram desobstruir a rua e fomos para a calçada. Depois, disseram para que parássemos de gritar e falar palavrão. É uma manifestação, como não vamos gritar? Quando começamos a organizar a retirada, começaram a jogar bomba nas nossas costas", denuncia Lucas Fonseca do Vale, um dos organizadores da batalha. 

De acordo com a organização da Batalha da Matrix, desde janeiro há a tentativa de liberação do parque para a realização do evento que ocorre todos os anos. A prefeitura afirma que será cobrada uma taxa para a ocupação do espaço, que é público. "No ofício explicamos que levaríamos toda a estrutura técnica, só solicitamos o palco e o uso do parque. Não entendemos a negativa deles. A gente se reuniu com a secretaria de Cultura e eles disseram que está sendo fixado um preço para uso do parque municipal e, até definir qual será o valor, todas as atividades (de organização do evento) estão suspensas", diz Lucas. 

Segundo ele, a decisão da gestão fere uma lei municipal. "Há uma norma que solicita o pagamento para a utilização de espaços públicos só quando o evento é feito por empresas privadas. Mas, quando o evento é público, não se pode cobrar o aluguel, porque isso já é pago no imposto do cidadão", afirma. O organizador diz também que está sendo elaborado um mandado de segurança contra a ordem da gestão Morando, que será levado ao Ministério Público.

A chamada Batalha da Matrix é realizada toda terça-feira, às 19h, na praça da Igreja Matriz, no centro de São Bernardo, desde 2013. A batalha – nome dado à disputa de rimas improvisadas entre os MCs (mestres de cerimônia) presentes – é uma das mais importantes da cena hip hop do estado de São Paulo 

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Em 2016, após diversos atos de repressão da PM, o rapper Emicida foi ao evento para prestar apoio

Desde sua criação, a batalha sofre com a repressão policial e pelas gestões municipais. Entretanto, Lucas afirma que, desde que assumiu, a gestão Morando passou a criminalizar a cultura periférica. "Essa repressão contra nós é pelo fato de sermos da periferia e estamos ocupando o centro financeiro de São Bernardo. A alta sociedade do centro está lá e se incomodam com a gente. Agora, o Orlando Morando, que é uma imitação do Doria, não quer dialogar. Ele é a representação das pessoas que odeiam a gente e colocaram ele no cargo", critica. 

Assista ao vídeo: