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Em São Paulo

Mulheres promovem debate contra assédio nas ruas e nos transportes

Na Avenida Paulista, feministas discutem formas de prevenção e fortalecimento de políticas que resguardem o direito das mulheres nos espaços públicos
por Redação RBA publicado 06/09/2017 10h36
Na Avenida Paulista, feministas discutem formas de prevenção e fortalecimento de políticas que resguardem o direito das mulheres nos espaços públicos
Meu Corpo Não é Público
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Em ônibus, Uber, no metrô e nas ruas, são frequentes os relatos de abusos contra as mulheres

São Paulo – Para tratar da onda de abuso e violência contra as mulheres, nas ruas e nos transportes, ativistas feministas se reúnem nesta quarta-feira (6) para o ato-debate Chega de Assédio, às 18h30, na Praça do Ciclista, que fica na Avenida Paulista, região central de São Paulo. 

O evento contará com a participação da escritora Clara Averbuck; da coordenadora do Núcleo Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica do Ministério Público de SP, Silvia Chakian; da advogada Julia Drummond; a integrante da ONG Think Olga Jules de Farias; a diretora de Mulheres do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Ana Borguin; a cantora e MC Luana Hansen; Ana Mationi, do coletivo Meu Corpo Não é Público e a vereadora Sâmia Bomfim (Psol-SP). 

Clara Averbuck revelou na semana passada ter sido vítima de estupro praticado por um motorista do Uber durante uma corrida. O caso ganhou destaque nas redes sociais e as mulheres utilizaram a hashtag #MeuMotoristaAbusador para revelar casos semelhantes. 

Também ganhou destaque a sequência de casos envolvendo o homem flagrado abusando de passageiras em ônibus. Diego Ferreira de Novais coleciona ao menos quatro casos de estupros e 13 atos obscenos. Após ter ejaculado em uma passageira, ele foi detido e liberado, voltou a incorrer no mesmo crime, sendo novamente detido. Na segunda-feira (4), ele foi condenado por um dos estupros cometido em 2013, e segue preso. 

Para a advogada Julia Drummond, realizar o debate na rua é também um ato simbólico. "A rua é um espaço para os homens, e os casos de assédio, sejam eles 'cantadas' ou situações mais graves, como abusos no transporte público, deixam isso claro. Portanto, estar na rua, em contato com outras mulheres e demais pessoas defensoras dos direitos das mulheres, significa dizer que não vamos nos calar diante das reiteradas violências sofridas", disse Julia à RBA.

Nos trens e metrôs também não faltam relatos frequentes de abusos. A metroviária Ana Borguin afirma que Metrô de São Paulo não oferece nenhum treinamento específico para as equipes voltado para o atendimento às mulheres vítimas.

Ela diz que as campanha de conscientização promovidas são insuficientes, que os sucessivos cortes de funcionários, em especial dos seguranças, combinado com a superlotação facilitam a ocorrência de crimes contra as mulheres nos trens e estações.

"A superlotação do transporte coletivo facilita que este tipo de crime continue ocorrendo ou até aumentando", diz ela. "O Metrô tem demitido todos os dias, preparando terreno para a terceirização e privatização. Estações funcionam hoje com quase metade dos funcionários necessários. Seguranças, então, já é lenda. São poucos espalhados ao decorrer da linha e em estações específicas." 

Para além do punitivismo, elas cobram melhores condições para as mulheres, com o fortalecimento de políticas públicas de combate à violência. Elas também apostam na mobilização das mulheres, promovendo a conscientização delas em relação aos seus direitos, e também dos homens, por uma mudança de mentalidade. 

"Ações organizadas dos movimentos de mulheres pelo mundo, como, por exemplo, a primavera feminista, ni una menos, mulheres contra Trump, entre outros, fez com que as mulheres tenham ganhado força para exigir respeito e denunciar. Isso aumenta a quantidade de ocorrências", afirma a diretora do sindicato dos metroviários. 

A advogada Julia Drummond pede o fortalecimento de rede de proteção para elas, como delegacias especializadas e centro de referência que ofereçam apoio psicossocial e jurídico às vítimas. "Aumentar a pena ou mesmo criar novos tipos penais não tem relação direta com a diminuição da violência, porque as diversas espécies de violência contra a mulher – física, psicológica, financeira e moral – são naturalizadas no cotidiano".