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Governo Alckmin

Metroviários estão em campanha contra privatização de linhas do Metrô

Manifestações, coleta de assinaturas e divulgação dos termos que favorecem as empresas na licitação estão entre as ações
por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 08/09/2017 13h08
Manifestações, coleta de assinaturas e divulgação dos termos que favorecem as empresas na licitação estão entre as ações
Sindicato dos Metroviários
metro

Metroviários têm feito várias ações para confrontar a proposta de privatização de linhas do Metrô paulista

São Paulo – O Sindicato dos Metroviários de São Paulo está em campanha contra a privatização das linhas 5-Lilás (Capão Redondo-Chácara Klabin) e 17-Ouro (Congonhas-Morumbi), cujos processo de concorrência devem ocorrer no dia 28 deste mês. Dentre as ações estão a coleta de assinaturas em uma petição, manifestações na abertura de novas estações – como a ocorrida na última quarta-feira (6) – e panfletagens para informar a população dos termo do edital de licitação que beneficiam as empresas. O principal ponto é o valor da outorga da concessão, cerca de R$ 190 milhões, ou aproximadamente 2% do custo das obras juntas, que foi de aproximadamente R$ 10 bilhões.

O coordenador de Patrimônio e Tesouraria do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Marcos Freire, avaliou que a privatização vai degradar o sistema do transporte. É um serviço que tende a ser de baixa qualidade, com menor quantidade de funcionários. Isso sem falar da segurança do usuário no sistema e da ausência de um bom atendimento em casos de agressão, furtos e assédio sexual. E no caso de problemas técnicos, sem um número adequado de trabalhadores, isso tende, por exemplo, a ter maior atraso no andamento dos trens”, afirmou, lembrando problemas relacionados à Linha 4-Amarela do Metrô.

Segundo o edital de licitação, as empresas não terão de fazer investimentos em infraestrutura, já que as linhas concedidas estarão iniciando a operação e o governo Geraldo Alckmin (PSDB) se responsabilizou pela conclusão dos trechos atrasados há anos. O investimento previsto pelos 30 anos de concessão será de R$ 3 bilhões em manutenção e atualização de sistemas. Mais 1% da arrecadação tarifária e 1% da receita com publicidade e utilização de espaços comerciais.

Além disso, os trabalhadores criticam a possibilidade de ser repassada à concessionária vencedora uma Tarifa de Remuneração Contingente, caso as estações Santa Cruz ou Chácara Klabin não sejam entregues no prazo previsto. A tarifa de remuneração básica será de R$ 1,02. Caso essas estações não estejam operacionais a tarifa de remuneração será de R$ 2,75. Além disso, a concessionária privada terá prioridade sobre o Metrô no saque da remuneração referente ao transporte de passageiros, como já ocorre com a Linha 4-Amarela (Butantã-Luz).

No próximo dia 14 os metroviários vão realizar uma manifestação na Estação Sé, com o objetivo de esclarecer à população as críticas ao modelo de privatização. A petição pode ser assinada via internet, na página do sindicato. “Somos contra as políticas privatistas, seja de forma direta ou por meio de concessões temporárias, parcerias público-privadas, entre outras. A função do transporte metroviário é pública e social, por isso deve ser estatal”, defendem os trabalhadores.

Em março deste ano a base do governador na Assembleia aprovou a transferência de R$ 200 milhões para a Linha 5, que estavam destinados à Linha 6-Laranja (Brasilândia-São Joaquim). Mudança feita a pedido de Alckmin, criticada pelos trabalhadores, por colocar mais dinheiro na linha a ser concedida. O valor cobrado pelo governo também é equivalente a apenas cinco dos 26 novos trens da Linha 5-Lilás, que ao todo custaram R$ 630 milhões aos cofres paulistas, mas que estão sem utilização, por causa dos recorrentes atrasos nas obras (iniciadas em em 1998).

A Linha 5-Lilás começou a ser construída em 1998, quando era a Linha F da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O trecho em operação, entre Capão Redondo e Largo Treze, funciona desde 2002. Porém, a construção ficou parada até 2009 e, desde então, somente a estação Adolfo Pinheiro foi entregue. O último protesto foi feito durante a inauguração da estação Brooklin da Linha 5, após sete anos de atraso. As estações Alto da Boa Vista e Borba Gato também foram entregues.

Alckmin prometeu entregar ainda este ano 10 das 11 estações que faltam à Linha 5. Com isso o trajeto vai passar dos atuais 9,6 quilômetros para 20,8 quilômetros de extensão, ligando a região de Santo Amaro à Chácara Klabin, na região Sudeste da cidade, em conexão com a Linha 2-Verde. A última estação – Moema, no meio do ramal – está prevista para 2018, após 20 anos do início das obras. Com a linha concluída, a expectativa é de transportar 780 mil pessoas diariamente.