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Suplicy cobra Alckmin e Doria para que paguem enterro de jovem morto pela PM

Para o vereador, os governos estadual e municipal devem arcar com despesas de velório e enterro de Leandro de Souza Santos, assassinado por policiais na Favela do Moinho
por Redação RBA publicado 28/06/2017 18h30, última modificação 29/06/2017 18h29
Para o vereador, os governos estadual e municipal devem arcar com despesas de velório e enterro de Leandro de Souza Santos, assassinado por policiais na Favela do Moinho
reprodução/facebook/alice vergueiro
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Moradores acusam a PM de torturar o rapaz, além de cometer fraude processual

São Paulo – O vereador paulistano Eduardo Suplicy (PT) enviou uma carta para o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e para seu companheiro de partido e prefeito da capital, João Doria, para cobrar que as administrações paguem as despesas de velório e enterro de Leandro de Souza Santos, assassinado ontem (27), na Favela do Moinho, por policiais militares. Caso os tucanos neguem o serviço, o petista afirmou que deve pessoalmente arcar com as despesas. A cerimônia deve se realizar hoje, às 19h, na capela da comunidade.

“Sendo uma família desprovida de recursos, reivindico ao governo estadual e municipal que arque com as despesas, garantindo a realização do velório na comunidade do Moinho, como pede sua família”, afirma Suplicy. Leandro foi morto em uma ação da Polícia Militar no início da manhã de ontem. Os militares alegam que o jovem carregava uma arma, argumento rejeitado por moradores que presenciaram a ação.

Suplicy utiliza depoimentos de testemunhas como argumento para sua exigência. “A senhora Maria Odete e sua filha mais velha, Letícia de Souza, testemunharam o momento em que Leandro, ao ter fugido dos policiais, por medo, entrou na casa de uma vizinha, senhora Lucimar Oliveira Santana, que também testemunhou o episódio”, disse. Leandro tinha 18 anos e era usuário de drogas, o que, de acordo com os relatos, o motivou a fugir dos policiais.

Os moradores ainda acusam a PM de torturar o garoto, além de cometer fraude processual. “A senhora Lucimar relatou que Leandro não estava armado, e Letícia testemunhou o momento em que dois policiais entraram com uma arma embrulhada em saco plástico e ouviu, pouco tempo depois, quando tiros foram disparados contra as paredes do barraco, o que parecia indicar uma tentativa de simular que Leandro tivesse reagido, estando armado, e trocando tiros com policiais. Todas as testemunhas reiteram que o rapaz não estava armado”, afirmou o vereador.

De acordo com a mãe do rapaz, Leandro, além dos cinco tiros, tinha ferimentos no rosto e dentes quebrados. No local, foi encontrado um martelo sujo de sangue, o que indicaria a tortura. “Leandro ficou por mais de uma hora retido pela polícia na residência da senhora Lucimar. A mãe de Leandro, desesperada, permaneceu na porta, e questionou os policiais sobre o que estavam fazendo. Questionou ainda se a polícia estaria forjando uma troca de tiros, uma vez que o som dentro do local foi significativamente aumentando, seguido pelos mencionados disparos de arma de fogo”, continua Suplicy.

Relatos indicam que Leandro era um rapaz pacífico, de acordo com Suplicy. “Embora, por vezes, como já mencionei, Leandro fizesse uso de álcool e drogas, era um rapaz de bom caráter. Mesmo sendo muito jovem, era casado e tinha uma filha de dois anos (…). Maria Odete e sua filha Letícia relataram o quanto Leandro era uma pessoa querida pela comunidade da Favela do Moinho. Há, ainda, inúmeros relatos de pessoas da comunidade que informaram que a polícia chegou ao local sem mandato e de forma truculenta, com helicópteros e uso de bombas de gás lacrimogêneo. No local havia crianças e idosos.”