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Unicef revela perfil de vítimas de assassinatos no Ceará

Os homens representam 97,95% dos mortos. Negros ou pardos são 65,75% do total. Em relação à classe social, 67,1% viviam em famílias com renda entre um e dois salários mínimos

acervo/ebc
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‘Informações serão fundamentais para a criação de estratégias para a prevenção’, diz representante do Unicef

São Paulo – Jovens pobres e negros são a maioria expressiva das vítimas de homicídios no Brasil. Dados divulgados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) sobre o perfil dessas vítimas no Ceará ilustram a realidade do país. A exclusão escolar também é fator dominante, 70% dos adolescentes assassinados não frequentavam a escola há pelo menos seis meses. O estudo Trajetórias Interrompidas: Homicídios na adolescência em Fortaleza e em seis municípios do Ceará foi divulgado hoje (5) e visa a incentivar políticas públicas que amenizem o problema.

“O estudo nos permite conhecer quem são os adolescentes que são assassinados todos os dias nas cidades cearenses. Essas informações serão fundamentais para a criação de estratégias e políticas para a prevenção de novas mortes e, também, de apoio às famílias das vítimas”, afirma o representante do órgão no Brasil, Gary Stahl. Foram analisados sete municípios do estado: Caucaia, Eusébio, Fortaleza, Horizonte, Juazeiro do Norte, Maracanaú e Sobral.

Foram realizadas entrevistas com 224 famílias e grupos de especialistas para traçar os perfis dos adolescentes mortos. A faixa etária analisada vai de 12 a 18 anos. Os homens representam 97,95% dos mortos. Negros ou pardos são 65,75% do total. Em relação à classe social, 67,1% viviam em famílias com renda entre um e dois salários mínimos, sendo que 68% eram beneficiados pelo Bolsa Família.

“As evidências do comitê geraram recomendações muito concretas a ser implementadas, e o Unicef está pronto para apoiar o governo do Ceará no desenvolvimento de programas para melhorar a proteção dos adolescentes e prevenir tais assassinatos. Essa é uma jornada que está apenas começando na garantia do direito à vida. O Unicef seguirá com o Ceará para fortalecer suas políticas públicas para a infância e a adolescência”, completa Stahl.

Existe uma predominância dos assassinatos em regiões mais pobres, de acordo com o estudo. Em Fortaleza, por exemplo, 44% das mortes aconteceram em 17 bairros de um total de 119 na cidade. Metade dos adolescentes morreram a cerca de 500 metros de suas casas. Mortes anunciadas. O Unicef aponta que mais de 50% das vítimas já haviam sido ameaçadas anteriormente.

As orientações do órgão caminham no sentido de proteção das famílias das vítimas, ampliação da rede de proteção à infância, prevenção ao uso precoce de drogas, entre outras. Em Fortaleza, em 46% dos casos, a vítimas haviam cumprido medidas socioeducativas, o que, de acordo com Renato Roseno, membro do Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência, não representa uma constante. “Há uma dificuldade persistente de apontar um nexo causal para os homicídios. Não existe apenas um fator dominante para a violência”, afirma.

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