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Violação

MP e Defensoria do estado vão apurar ação da polícia de Doria na Cracolândia

Serão investigados desvios de função da Guarda Civil Metropolitana e a responsabilidade da ação que, segundo promotores, "não resolveu o problema básico da região e a droga vai continuar chegando"
por Redação RBA publicado 23/05/2017 10h18, última modificação 23/05/2017 10h38
Serão investigados desvios de função da Guarda Civil Metropolitana e a responsabilidade da ação que, segundo promotores, "não resolveu o problema básico da região e a droga vai continuar chegando"
Midia Ninja
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Para promotor, ação conjunta do governo e prefeitura colocam em risco a implementação de programa de Doria

São Paulo – As promotorias de Direitos Humanos e da Infância e Juventude do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Defensoria Pública do Estado vão abrir inquérito civil conjunto para apurar a atuação da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo (CGM) na ação coordenada pelo governo de Geraldo Alckmin (PSDB) e pela gestão do prefeito da capital, João Doria (PSDB), que ocorre na região da Cracolândia desde a madrugada deste domingo (21).

A ação considerada de extrema violência por por organizações em defesa dos direitos humanos, com uso de bombas de gás e balas de borracha para dispersar os  usuários que vivem na região e a prisão de pelo menos 80 pessoas, sendo 69 usuários, é justificada por Alckmin e Doria como operação para combate ao tráfico de drogas na região. 

O promotor de Justiça da Saúde Pública, Arthur Pinto Filho, afirmou que a notícia da ação feita na Cracolândia pegou a todos de surpresa: “Recebemos a notícia da ação na região com pasmo. O projeto Redenção passou por um longo processo de discussão e estava pronto para entrar em vigor, era um projeto civilizatório, não previa, em hipótese nenhuma, essa ação mais forte na região, ou seja, tudo ao contrário do que está acontecendo agora”. 

Ontem (22), representantes da Defensoria Pública, dos conselhos regionais de Medicina (Cremesp) e Psicologia (CRP), do Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas e Álcool (Comuda) e de organizações sociais se reuniram no MP para avaliar a situação da e até que ponto até que ponto a ação iniciada no domingo impede a implementação do projeto.

De acordo com o promotor, o acordo dos setores com os governos era para que tudo fosse feito de maneira paulatina.  

"Vamos apurar se esta havendo desvio de função da GCM e também de quem partiu a ordem, se foi do comandante", destacou Arthur Pinto Filho. "A ação não resolveu o problema básico da Cracolândia que é a dependência. Enquanto não se resolver isso, não se resolve a questão, a droga vai continuar chegando, tanto na lá como em qualquer lugar do Brasil. O principal é tentar cuidar do usuário dependente, isso é que tem que ser feito. O que estava ruim, com a atuação policial, piorou muito."