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Maranhão: ataque de pistoleiros deixa índios baleados e com as mãos decepadas

Apesar da gravidade do ataque, Ministério da Justiça do governo Temer prefere colocar a comunidade sob suspeição e disse estar averiguando o ocorrido com os "supostos indígenas" no povoado de Bahias
por Jornal GGN publicado 01/05/2017 19h39, última modificação 01/05/2017 19h45
Apesar da gravidade do ataque, Ministério da Justiça do governo Temer prefere colocar a comunidade sob suspeição e disse estar averiguando o ocorrido com os "supostos indígenas" no povoado de Bahias
Ana Mendes/Cimi
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Índio gamela atacado por bandoleiros no interior do Maranhão. Conflitos por terra se intensificam e aumentam vítimas entre indígenas

São Paulo – No Maranhão, um grupo de indígenas gamelas foi atacado na tarde do domingo (30), por pistoleiros. Segundo informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), cinco foram baleados e dois tiveram as mãos decepadas. O número de feridos por golpes de facão chega a 13, e não há, até o momento, a confirmação de mortes.

Reportagem do jornal O Estado de S.Paulo relatou que cinco indígenas foram transferidos durante a noite a madrugada desta segunda-feira (1º) para o Hospital Socorrão 2, na capital maranhense, São Luís. Segundo informações da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Aldeli Ribeiro Gamela foi atingido por um tiro na costela e um na coluna, teve mãos decepadas e joelhos cortados. Seu irmão, José Ribeiro Gamela, levou um tiro no peito. Um terceiro atingido foi o indígena e integrante da CPT no Maranhão Inaldo Gamela, com tiros na cabeça, no rosto e no ombro.

O ataque ocorreu quando os indígenas "decidiram sair de uma área tradicional retomada, prevendo a violência iminente", diz a reportagem. A CPT afirma que a ação foi planejada e articulada por fazendeiros e pistoleiros da região, organizados através do WhatsApp.

Lideranças indígenas cobram investigação para descobrir a autoria do atentado e exigem do governo do estado e da Funai "proteção para as famílias gamelas que moram em aldeias no município".

O Ministério da Justiça do governo Temer, por outro lado, colocou a comunidade indígena sob suspeição e disse que a Polícia Federal foi enviada ao município de Viana, no Maranhão, "para evitar mais conflitos" com os capangas. Em nota, a pasta comunicou que "está averiguando o ocorrido envolvendo pequenos agricultores e supostos indígenas no povoado de Bahias, no Maranhão".

Cerca de 700 famílias gamelas vivem na área, de apenas 530 hectares, próxima ao Povoado de Bahias, local do ataque. Não é a primeira vez que elas são atacadas. Outros eventos, menos violentos, ocorreram em 2015 e 2016. Há cerca de três anos, lideranças da etnia iniciaram um processo para retomar áreas ocupadas ilegalmente por fazendeiros nos anos 1980, segundo a CPT.