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Alckmin e Doria fogem de entrevista após chegada de manifestantes na Cracolândia

Moradores e comerciantes do local chegaram à entrevista aos gritos de 'fascistas'. Governador e prefeito falaram rapidamente, em evento que não durou mais de três minutos

Aloisio Mauricio /Fotoarena/Folhapress
Cracolândia

Manifestantes abriram faixas em apoio ao programa De Braços Abertos. “A internação não é a solução”, disse militante

São Paulo – O prefeito de São Paulo, João Doria, e o governador do estado, Geraldo Alckmin (ambos do PSDB), abandonaram a entrevista coletiva realizada hoje (24) na região da Cracolândia após a chegada de manifestantes ao local. Eles deixaram o local sem concluir a entrevista, em carro oficial.

Moradores e comerciantes da região protestam contra uma parceria público-privada que, com a justificativa de revitalizar a região, está promovendo ações consideradas higienistas e expulsando moradores, comerciantes e dependentes químicos do local. Na manhã de domingo (21) pelo menos 900 oficiais das polícias Civil e Militar realizaram uma operação considerada de extrema violência, sob a justificativa de combater o tráfico de drogas, na qual dispersaram dependentes químicos com bombas de gás e balas de borracha.

Pelo menos 51 pessoas foram presas. As promotorias de Direitos Humanos e da Infância e Juventude do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Defensoria Pública do Estado vão abrir inquérito civil conjunto para apurar a atuação da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo (CGM) durante a operação de domingo.

Ontem (23), Doria ordenou a demolição de imóveis na região, que foi executada com pessoas ainda dentro de suas casas e três ficaram feridas. “Tinha 10 pessoas no imóvel, a maioria dormindo. Não avisaram que iam derrubar. Muitas pessoas pediram para parar, mas a Guarda Civil Metropolitana (GCM) disse para continuar”, afirma Valdete Souza, inquilina responsável pela pensão afetada na demolição de um muro que fica na Rua Dino Bueno, 148. O secretário municipal de Serviços e Obras, Marcos Penido, afirmou que todos os imóveis dos dois quarteirões no bairro serão removidos e que estão retirando as pessoas para outros locais.

Os manifestantes chegaram ao local da coletiva aos gritos de “fascistas”. Doria e Alckmin falaram rapidamente no palanque, em um evento que não durou mais de três minutos. Ambos saíram sem falar com a imprensa, alegando como motivo a “confusão”.

O protesto começou por volta das 10h, com concentração em um posto de gasolina na esquina da rua Helvetia com a avenida Rio Branco. Os moradores caminharam pelo local pedindo respostas de João Doria a ação. Participaram também integrantes de movimentos de habitação do centro, entre eles a Frente de Luta por Moradia, membros do movimento Antimanicomial e representantes do Instituto Gaspar Garcia, de acordo com o coletivo Jornalistas Livres.

Após o fim da coletiva, eles caminharam até o comando geral da GCM, localizado no bairro, e em jogral bradaram: “GCM não é polícia! Exigimos o fim de toda a violência! Abaixo a repressão!”.

Os manifestantes abriram faixas em apoio ao programa De Braços Abertos, implementado pela gestão Fernando Haddad, que oferecia moradia, alimentação, trabalho e tratamento para dependentes, e que já havia sido premiado por organizações como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA). Doria encerrou o programa e anunciou em seu lugar uma nova ação, chamada “Redenção”, sobre o qual foram divulgadas ainda poucas infromações.

“A internação não é a solução. Despejar o povo sem solução para os problemas do local não é uma alternativa. É preciso acompanhamento e discussão com a comunidade que mora lá. Não se pode derrubar casa na cabeça dos sem teto e dizer que vai construir moradia”, disse uma representante de um dos movimentos de moradia presentes no ato, que não se identificou.

Com informações dos Jornalistas Livres e do portal G1