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Vítimas de Mariana afirmam que empresas tentam controlar ações de reparação

Movimento afirma que o risco é de as empresas causadoras da tragédia tentarem reduzir o valor das indenizações a serem pagas as vítimas: 'É raposa cuidando do galinheiro'

arquivo/EBC
Mariana

Samarco e operadoras tentam impedir participação dos atingidos e de organizações nos esforços de reparação

São Paulo – Atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), entregaram na última terça-feira (4) ofício ao Ministério Público Federal (MPF) em repúdio ao tratamento dado às vítimas da tragédia pela Samarco e suas controladoras, Vale e BHP Billiton. Eles denunciam que as empresas tentam controlar as ações de reparação e impedem a participação de entidades e até mesmo das próprias vítimas. 

Segundo Letícia Oliveira, da Coordenação do Movimento dos Atingidos por Barragens de Minas Gerais (MAB-MG), um dos temores é que, sem a participação dos atingidos e da sociedade civil, as empresas responsáveis tentem diminuir os custos das reparações devidas. O ofício conta com 371 assinaturas e é apoiado por organizações nacionais e internacionais, professores e pesquisadores. 

“O problema é de participação e de direito à informação. As empresas não permitem a participação das organizações socais, dos pesquisadores, dos professores, nem dos próprios atingidos”, afirma Letícia, em entrevista à Rádio Brasil Atual nesta sexta-feira (7). 

O MPF montou um grupo de trabalho (GT) com vítimas, organizações e pesquisadores, para discutir as diretrizes do plano de reparação, que, entre outras medidas, pede a contratação de uma entidade independente para gerir os recursos para indenizações.

As sugestões elaboradas pelo GT, contudo, foram ignoradas pelas empresas, que respondeu que a participação da sociedade civil e dos atingidos deve ser “meramente orientativa”, em “espaços consultivos” por elas constituídos. 

“É o criminoso cuidando das vítimas, como a gente tem dito”, afirma Letícia, que acrescenta que a participação das vítimas e das demais entidades é necessária porque o esforço de compensação vai muito além das indenizações, e deve prever a compra de terrenos e casas e a construção de novas comunidades, visando à retomada da normalidade da vida das pessoas atingidas.

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