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Moradores da capital capixaba fazem Caminhada pela Paz

Depois que quase 900 policiais voltaram às ruas de Vitória, população se mobiliza em passeata para retomar a vida na cidade. Governo do tucano Paulo Hartung e policiais continuam sem acordo
Publicado por Ana Cristina Campos, da Agência Brasil
15:23
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Tânia Rêgo/Agência Brasil
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Mobilização pela paz: Sindicato dos Policiais Civis informou que foram registrados 142 homicídios

Vitória – Moradores de Vitória participaram hoje (12) da Caminhada pela Paz, na orla da Praia de Camburi. Com cartazes, camisas e balões brancos, os capixabas pediram o retorno à normalidade após nove dias de paralisação dos policiais militares no Espírito Santo.

Com o retorno gradativo dos policiais – hoje são 875 patrulhando as ruas do estado – e a presença das Forças Armadas e da Força Nacional, os capixabas relatam que se sentem mais seguros para retomar a rotina e sair de casa.

Segundo o prefeito de Vitória, Luciano Rezende, o objetivo do ato é fazer que as famílias voltem a ocupar os espaços públicos da capital capixaba. “A vida no Espírito Santo é a cidade ocupada pelas famílias, os capixabas nas praias, andando de bicicleta, caminhando. É importante que essas imagens rodem o mundo e mostrem que os capixabas superaram essa semana de trevas que nós passamos”.

O prefeito informou que amanhã (13) serão retomadas grande parte das atividades da rede municipal de ensino, das unidades de saúde e das repartições públicas. “A ideia é que a gente vá voltando ao normal gradativamente. A presença de mais de 5 mil pessoas aqui (na caminhada) mostra que este é um sentimento de todos nós: queremos retomar as nossas vidas”, acrescentou.

Volta à normalidade

Aos poucos, os capixabas começam a voltar à rotina. Praias, bares e restaurantes ficaram mais cheios este fim de semana. Mesmo com receio, os moradores estão saindo de casa.

O casal Carlos Henrique Ribeiro e Camila Lélis, ambos de 57 anos, acompanhados da neta Ana Júlia, de 2 anos, resolveram participar da Caminhada pela Paz para retomar a sensação de tranquilidade que sempre tiveram na capital. “Eu estou me sentindo bastante tranquilo. Se não estivesse, não traria minha neta para a rua”, disse Ribeiro, que é procurador do estado e não pôde trabalhar na semana passada porque os órgãos do Judiciário permaneceram fechados.

“Ficamos aquartelados. Fomos obrigados a isso”, resumiu Camila, em alusão ao aquartelamento dos policiais nos quartéis devido ao movimento grevista. “Hoje estou sentindo uma sensação de liberdade, de poder exercer meu direito de ir e vir. Tenho esperança de voltar à nossa rotina normal amanhã”.

A policial civil aposentada Eliete Bermudes, de 66 anos, relata que ainda se sente insegura de sair de casa. “A gente sai, mas com medo. A gente sabe o risco que corre. Só saio com a carteirinha do plano de saúde”, contou. “Eu acho que algum lado deveria ceder. O governador não cede, os policiais não cedem e a população fica no meio do tiroteio. Não estou de acordo com nenhum dos dois lados.”

As mulheres e mães de policiais militares continuam acampadas em frente aos batalhões impedindo a saída de viaturas e de agentes em protesto por melhorias salariais.

Número de homicídios

O Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo informou que foram registrados 142 homicídios no estado desde sábado (4) até as 10h de hoje. O maior número de mortes violentas foi contabilizado na segunda-feira (6), com 40 homicídios. Ontem (11), houve dois homicídios.

A Secretaria estadual de Segurança Pública não divulgou até o momento um balanço das ocorrências desde o início da paralisação dos PMs.