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Infância negra: ‘Barbie é legal, mas eu prefiro a Makena africana’

Falta de referências positivas durante a infância afeta a autoestima das crianças negras. Pais e educadores devem ajudar no desafio

reprodução/TVT

A pequena Ylanny Evelyn (ao centro), é exemplo de autoestima ‘De qualquer jeito eu fico bonita”

São Paulo – “Me gosto do jeito que eu sou, mas ainda não estou tão satisfeita. Quero que todas as crianças também se aceitem e se gostem, que não fiquem mais machucando a cabeça para passar os produtos”, diz Mc Soffia que, aos 12 anos, já é considerada uma rapper, aos 12 anos. A consciência da negritude durante a infância, fase fundamental para a construção da autoestima de toda criança, é tema da série Negra Raiz, produzida pela TV Brasil. Para as crianças negras, a ausência de referências positivas e o preconceito tornam essa faz um desafio enorme.

Pais e educadores têm ajudado a superar as dificuldades. A produtora cultural Kamilah Pimentel, mãe de Soffia, conta que sempre prezou pela representatividade e buscou educar o olhar da menina. “A gente trabalhou também muito a literatura afro-brasileira. Dentro de casa, a gente já mostrava muitas representações para ela. Fora, a gente sempre levava em eventos, desfiles afro.”

Ela lembra que Soffia já tinha elevada autoestima desde muito pequena. “Eu tinha várias bonecas negras, então eu me via representada. Mas não queria ter cabelo crespo, quando eu era pequenininha. Faz um tempo, comecei a aceitar o meu cabelo. Fazendo várias coisas nele, todos os dias estou mudando”, com a rapper.

“A gente mostra para as crianças que não é porque você tem o cabelo diferente que você vai ter vergonha de mostrar”, conta Ymanny Aymee Crescencio, que, aos 11 anos, é bailarina hip-hop, junto com a irmã Ylanny Evelyn, de 5 anos. “De qualquer jeito eu fico bonita”, ressalta a menor.

Já a artista e educadora Kiiusam de Oliveira, autora de livros infantis, afirma que ainda faltam referências positivas. “Não que essas referências não existam. Elas existem. O que falta é falar, é mostra. É por isso que eu trabalho tanto pensando nisso, na desconstrução do racismo.”

Ela relembra os casos de violência racismo ocorridos durante a sua infância, como quando pediu para que a mãe a colocasse na bacia em que alvejava roupas, na tentativa de clarear seu tom de pele. “Foi a primeira vez que vi a minha mãe chorar.” Hoje, a luta contra o preconceito reflete no seu engajamento de trabalho voltado para as crianças negras.

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