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Violência contra jornalistas é legitimada pela falta de punição

Nos últimos três anos, foram identificados 300 casos de agressões a jornalistas durante manifestações de rua

REPRODUÇÃO/TVT
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Decisões de Justiça absolvendo a polícia em casos contra jornalistas colabora para ocorrência de novos casos

São Paulo – Desde os protestos de 2013, somam-se 300 casos de violência contra jornalistas em manifestações de rua, segundo levantamento da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Do total de casos nesses três anos, Aproximadamente 25% deles foram praticados por manifestantes e 75% por policiais, guardas municipais e seguranças privados.

Na semana passada, Marta Raquel, integrante do coletivo Jornalistas Livres, foi agredida enquanto cobria a ocupação de uma Diretoria Regional de Ensino, em São Paulo, por estudantes contrários à reforma do ensino médio proposta pelo governo Temer.

Também são inúmeros os casos em que policiais apreendem equipamentos e celulares e apagam ou obrigam a apagar conteúdos, como fotos e vídeos. Para a ONG Artigo 19, que defende a liberdade de expressão, trata-se de uma prática condenável.

Infelizmente, é um tipo de prática muito comum, que a gente viu em vários casos, mas é uma arbitrariedade. Não podem fazer isso, não deveriam fazer”, assinala Thiago Firbida, pesquisador da Artigo 19, em entrevista ao repórter Jô Miyagui, na edição de ontem (19) do Seu Jornal, da TVT.

Para a entidade, também preocupa o posicionamento da Justiça nas ações de violência contra jornalistas, como no caso do fotógrafo Sérgio Silva, que perdeu o olho esquerdo ao ser atingido por uma bala de borracha atirada por um policial em uma manifestação, e foi considerado culpado por ter se exposto ao risco.

Firbida afirma que, além de se tratar de uma injusta, a decisão é “perigosíssima” para a liberdade de expressão, porque a falta de punição pode legitimar a reprodução de ações violentas por parte das forças de repressão.

Em 2016, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking de jornalistas mortos, com 5 casos, de acordo com a ONG Repórteres Sem Fronteiras. O México lidera a lista com 12 assassinatos. Ao todo, 47 profissionais de imprensa foram mortos. Na maioria dos casos, trata-se de comunicadores que investigavam casos de corrupção envolvendo agentes públicos. A impunidade, com a demora nas investigações e as dificuldades para identificar e punir os culpados, também é identificada como um dos fatores para o repetição desses casos.