reforma agrária

PM da Bahia invade acampamento de trabalhadores sem-terra

De acordo com o MST, intenção era de prender alguma liderança do acampamento. “Inicialmente resistimos e não demos o nome”, relatou um acampado

mst/reprodução
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‘Diziam que iam prender as famílias caso não informássemos os nomes’, afirmou um acampado

São Paulo – A Polícia Militar da Bahia, acompanhada de latifundiários, invadiu hoje (27) um acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na Fazenda Planície, no município de Itanhém. De acordo com o movimento, a intenção era prender alguma liderança do acampamento. “Inicialmente, resistimos e não demos o nome”, relatou um acampado.

“Automaticamente, chegaram mais reforços de viaturas com mais homens armados. Em tom ameaçador diziam que iam prender as famílias caso não informássemos os nomes”, completou. A PM estava acompanhada de um oficial de Justiça, portando uma ordem expedida pelo juiz Francisco Moleza Godoy, da Comarca de Itanhém.

É o mesmo que no começo de julho tentou intimidar 200 educadores que realizavam a marcha de abertura do Encontro de Educadores da Brigada Nelson Mandela, protestando contra o golpe institucional. Na ocasião, o juiz quis retirar o microfone das mãos de uma das educadoras que coordenava a atividade.

A expectativa do coletivo de comunicação do MST é que os policiais devem voltar nos próximos dias com ação de despejo. A desconfiança é de uma reação dos latifundiários ao processo de vistoria da terra, que está apurando inclusive débitos de impostos.

A fazenda Planície foi denunciada pelo MST como improdutiva e com uma série de pendências junto ao poder público. Os trabalhadores afirmaram ainda, que mesmo diante das irregularidades e as diversas denúncias à justiça local, o processo de desapropriação está travado e as famílias já foram despejadas duas vezes.

A região de Itanhém, considerada uma das mais pobres do país, tem grande concentração de terra, dominada por um pequeno grupo de latifúndios com forte influência política no município e no estado. O município registra ainda uma serie de notificações de agressões e ameaças aos pequenos produtores.

Produção orgânica

Em contrapartida, o MST da Bahia organiza para sábado (29) um evento para comemorar a demarcação de vilas agroecológicas no município de Prado, no sul do estado. Os assentamentos Jaci Rocha e Antônio Araújo foram demarcados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em abril de 2015 e o governo do estado respondeu positivamente ao pleito dos trabalhadores.

“Após a entrega, as famílias começaram um grande processo de organização e demarcação da terra em agrovilas agroecológicas de acordo com as aptidões de cada sujeito. Tal processo teve o objetivo de garantir a construção de assentamentos agroecológicos capazes de recuperar a fauna e flora da região, diminuindo assim o grande passivo ambiental provocado pelas monoculturas de eucaliptos das transnacionais”, afirma em nota o MST.

A comemoração será realizada no assentamento Jaci Rocha, no quilômetro 931 da BR 101, a 14 quilômetros da cidade de Itamaraju, às 14h. Os trabalhadores estão organizados em 23 agrovilas, com média de dez famílias em cada. “Este momento é fruto das lutas de milhares de trabalhadores e trabalhadoras que sonham com a reforma agrária no Brasil”, diz o MST.

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