consumismo

Idec alerta para uso de crianças em vídeos no Youtube

Além de estimular o consumo precoce, crianças sofrem com exposição nesses casos, que podem configurar trabalho infantil

Arquivo/EBC
publicidade infantil

‘O que acontece é a comercialização do próprio filho. Estão colocando os filhos para venderem coisas de forma velada’

São Paulo – O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) alerta para a prática abusiva de publicidade infantil, principalmente de brinquedos, feita de forma velada por crianças e para crianças no Youtube. Segundo a advogada do Idec, Claudia Almeida, o canal da internet não é só entretenimento e pode ser prejudicial à criança.

“É prejudicial tanto para as crianças que estão sendo expostas quanto para as que estão assistindo, porque as crianças que estão assistindo não têm noção que a outra está vendendo um brinquedo, induzindo um comportamento consumista, desnecessário. São ofertadas coisas caras, fúteis”, detalha a advogada, em entrevista à Rádio Brasil Atual na manhã de hoje (5).

Cláudia afirma que o prejuízo é ainda maior para as crianças que executam essas formas de publicidade, que além do excesso de exposição, pode configurar trabalho infantil. “Quando a gente vê uma criança trabalhando com carvão ou na lavoura, a gente fica horrorizado, mas quando a gente vê uma criança trabalhando no Youtube, a gente acha normal. Não é normal.”

Segundo ela, alguns desses youtubers mirins chegam a ter mais de 2 milhões de seguidores, alguns deles com mais de mil vídeos postados, o que denota a frequência do trabalho. “A exposição é tão grande que às vezes as crianças são filmadas no banheiro, no quarto. Tudo aquilo que deveria ser privado, se torna público.”

Uma das febres são os vídeos com crianças abrindo presentes, que além de estimular as demais a quererem repetir o comportamento, induzindo ao consumo, não deixa claro que se trata de merchandising de marcas de brinquedos e outros produtos. “O que acontece é a comercialização do próprio filho. Estão colocando os filhos para venderem coisas, de forma velada, que não está explícita.”

No mês passado, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública (ACP) contra o Google por violação aos direitos da criança em vídeos de youtubers mirins.

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