além das palavras

‘A prostituição me dá prazer e paga minhas contas’, diz escritora

Da transição do homem que se via mulher aos relatos eróticos da vida nas ruas, Amara Moira, que faz doutorado em Teoria Literária na Unicamp, compartilha sua história em “E Se Eu Fosse Puta”

Facebook/Reprodução
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Amara é doutoranda em teoria literária pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

São Paulo – Há sete anos a bissexual e travesti Amara Moira começou a escrever sobre um homem que se via mulher. O que ela não esperava é que a inspiração para desenvolver o texto não fosse algo inventado, mas, sim, sua própria história. A escrita, segundo ela, desempenhou um papel importante na sua transição. E parte dessa inspiradora transição resultou no livro E se eu fosse puta (Hoo Editora, 200 págs.), lançado na terça-feira (9), em São Paulo.

A obra traz suas experiências na prostituição, relatos eróticos da vida nas ruas e fala da dificuldade e angústias de ser prostituta. “O sexo é uma coisa importante, mas a mulher que exerce a sexualidade é punida, excluída, marginalizada e oprimida. Já a mulher que cobra pela sexualidade é triplamente mais oprimida. Então, a prostituição é exercida por quem não tem mais por onde correr. Isso reforça a ideia de que a prostituta não sabe fazer nada, além de transar, mas eu quero quebrar isso e mostrar que sabe escrever e seduzir pela palavra”, diz, em entrevista à repórter Anelize Moreira, da Rádio Brasil Atual.

Amara é doutoranda em Teoria Literária pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Nenhum dos meus clientes sabia, eles me tratavam de forma desprezível”, afirma. Ela explica que paga suas contas com a bolsa de doutora, e a renda como prostituta entrou como complemento para militar pela causa LGBT e pelo feminismo.

Segundo Amara, o objetivo do livro é tirar da marginalidade a prostituição. “A prostituição para mim é a profissão que, quando exercida em boas condições, me dá prazer e o dinheiro que paga minhas contas.” O livro também conta com tirinhas da cartunista Laerte, que passou por um processo de transição semelhante ao da escritora.

Ouça a entrevista.