Comissão da Verdade

Haddad promete acelerar andamento da identificação das ossadas de Perus

Prefeito recebeu ontem (17) da Comissão Municipal da Verdade de São Paulo 35 recomendações que constarão do relatório final

L.C. LEITE/FOLHAPRESS
vala clandestina perus

Segundo a Comissão Municipal da Verdade, há a expectativa de reconhecer mais três pessoas na vala de perus

São Paulo – O jornalista e integrante da Comissão Municipal da Verdade de São Paulo Camilo Vannuchi disse hoje (18) à Rádio Brasil Atual que o prefeito Fernando Haddad foi positivo ao receber uma prévia das 35 recomendações da comissão ao Executivo que constarão do relatório final, que será entregue no final deste ano. No encontro de ontem, o prefeito disse que vai dar agilidade ao atendimento das reivindicações.

Camilo explicou que uma das principais recomendações é para que a administração municipal se comprometa a concluir a identificação das ossadas da vala clandestina do cemitério de Perus, iniciada em 2014.

Outro pedido aceito pela Comissão da Verdade foi de retirar o nome de Jayme Augusto Lopes do Crematório Municipal da Vila Alpina. Lopes foi diretor do Serviço Funerário Municipal durante o período da ditadura civil-militar (1964-1985), em que o local funcionou como parte do sistema de ocultação de cadáveres de presos políticos.

Leia um trecho da entrevista:

Vocês conversaram com o prefeito sobre a questão da identificação das ossadas de Perus…

A gente foi apresentar a ele as recomendações que a Comissão da Verdade vai fazer no final do ano, quando terminamos o relatório. Listamos 35 recomendações para entregar à prefeitura. Nós adiantamos as recomendações, que são a última parte do relatório, para conseguirmos pleitear que algumas sejam feitas ainda nesta gestão.

Uma das questões é essa das ossadas. Há um convênio do grupo que trabalha no cemitério de Perus, com a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e o governo federal.  Do jeito que o governo federal está hoje, temos medo de esse convênio ser extinto, e não sabemos também os resultados das eleições de ano. Então, o nosso objetivo é que isso seja institucionalizado, para não corremos o risco de, mais uma vez, termos o trabalho interrompido.

Qual foi a reação do prefeito em relação às recomendações?

Foi muito positiva. Ele não sabia de algumas coisas que a gente apresentou. O secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania, Felipe de Paulo, estava presente e, naquele momento, o Haddad já pediu para o secretário ver os trâmites necessários para assinar o mais rápido.

O que ele não sabia?

A gente pediu para ele a mudança do nome do Crematório da Vila Alpina chamado Jayme Augusto Lopes. O doutor Jayme foi o diretor do serviço funerário municipal na época em que criaram as ossadas de Perus, em que se tentou trazer um forno crematório para São Paulo com o interesse de incinerar restos mortais de presos políticos assassinados. A gente nem quer que coloque um nome lá, apenas tirar o do doutor Jayme.

Qual é a expectativa do trabalho no cemitério do Perus?

A expectativa de reconhecimento da vala de Perus, pelo que sabemos, é de três pessoas. São vários desaparecidos políticos que temos indícios fortes de que foram enterrados lá. Estávamos com seis e já identificamos três. Então, devem ser identificados mais três. Quando eu falo que há indícios fortes, às vezes, na ditadura, faziam a certidão de óbito correta, mas sem falar onde é a cova, então, o corpo desaparece. Isso acontece muito no cemitério de Vila Formosa, onde há 17 corpos que ainda não foram encontrados.

Por quantos anos vocês ainda acham que há trabalho de atuação da prefeitura na investigação?

A Comissão da Verdade termina em dezembro com a entrega do relatório. Ela tem uma duração de dois anos. A atual gestão da prefeitura criou uma Secretaria de Direitos Humanos que incluiu uma Coordenação de Direito à Memória e Verdade. Uma das ideias é que essa pauta dentro do Executivo municipal seja institucionalizada de um jeito que um próximo prefeito não possa extinguir e continue mantendo esse trabalho, criando estratégias como a do Ruas de Memória e uma série de outros atos importantes.

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