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São Paulo inaugura primeira delegacia da mulher com funcionamento 24 horas

Medida vem apenas 31 anos depois da primeira unidade especializada em tratar de violência de gênero. Para a coordenadora da Marcha Mundial das Mulheres, delegacia da Sé ainda é insuficiente

Reprodução/Mulheres Determinadas
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Para a Marcha Mundial das Mulheres, governo Alckmin é ‘pouco preocupado’ com a violência contra a mulher

São Paulo – A primeira Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) com atendimento 24 horas da capital paulista foi inaugurada ontem (22). Localizada da Sé, no centro, a unidade chega 31 anos depois de inaugurada a primeira das delegacias a tratar da violência de gênero contra as mulheres. Ela funcionará todos os dias, inclusive aos finais de semana.

A cidade de São Paulo possui oito instalações da DDM, porém, elas funcionam de segunda a sexta, das 9h às 18h. Em entrevista à repórter Anelize Moreira da Rádio Brasil Atual, a coordenadora da Marcha Mundial das Mulheres, Sônia Coelho, diz que apoia a medida, mas condena o atraso e afirma que a delegacia da Sé é insuficiente para atender à demanda das mulheres residentes em São Paulo. “Há muito tempo que há lei para que essas delegacias funcionem 24 horas, porque a violência contra a mulher acontece o tempo todo.”

Para Sônia, a necessidade de medidas protetivas vai além. “Ainda faltam recursos humanos, equipamentos. Por exemplo, na zona oeste, a mulher chegou para denunciar, mas aí não havia sistema e pediram para ela voltar outro dia. Então, (o funcionamento 24 horas) é uma vitória, mas o governo (Geraldo) Alckmin (PSDB) é muito pouco preocupado com a violência contra a mulher.”

Segundo a ativista, o atendimento no interior paulista – onde há 106 unidades da DDM – encontra bastante problemas. “No final de semana tem muita violência, com agravantes. Muito difícil ter diálogo com o governo do estado de São Paulo, em geral, ele não dialoga. Na conferência estadual, que teve representantes do governo, foi muito reivindicado o funcionamento das delegacias em todo o interior. A violência tem ido cada vez mais ao interior e há cidades que não têm nenhum amparo às mulheres.”

Segundo a ONG Minha Sampa, um dos principais desafios para combater a violência de gênero é fazer com que as vítimas consigam denunciar seus agressores. Dados da organização indicam que 90% dos casos do país não são denunciados.

A primeira Delegacia de Defesa da Mulher com atendimento 24 horas está localizada na rua Doutor Bittencourt Rodrigues, 200, Sé, no centro de São Paulo.

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