genocídio

Tribunal popular discute ação violenta da polícia nas periferias

Preconceito e a abordagem violenta foram apontados como as principais causas da morte de jovens

Reprodução/TVT
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‘Ítalos morrem todos os dias dentro de diversos bairros da periferia e não são noticiados’

São Paulo – A morte de jovens negros por ações violentas das polícias, especialmente nas periferias da cidades brasileiras, foi discutida em um tribunal popular, numa praça do Jardim Angela, zona sul de São Paulo, organizado sexta-feira (1º), por movimentos sociais e entidades de defesa de direitos humanos.

Aguinaldo dos Santos, psicólogo e morador do bairro, contou passagens que teve ao se deparar com a força policial na comunidade. “Tenho 29 anos e já sofri 35 abordagens policiais, a primeira aos 12 anos. Eu costumo dizer que nós somos sobreviventes de abordagens policiais. Outros amigos e parentes meus não sobreviveram a elas. São indicativos de que existe em São Paulo uma política de extermínio da população pobre, negra e periférica”, afirma, em entrevista à repórter Sandra Paulino, da TVT.

“Eu tenho muitos amigos que sofrem abordagens abusivas, que sofrem violência, que recebem paulada. Eu tenho amigos que sumiram e foram mortos”, diz Amanda Pereira, integrante do Juventude Viva.

Essa realidade diária ganhou as manchetes dos jornais com a morte do garoto Ítalo, de 10 anos, baleado por um policial militar quando dirigia um carro, no início de junho. “Cada jovem periférico é o Ítalo. A gente vive se desviando da curva da bala. Aliás, curva, não. A bala é certa e a carne marcada pelo sistema tem cor”, afirma Amanda.

No tribunal popular, o preconceito e a abordagem violenta da polícia foram apontados como as principais causas da morte de jovens. Em 2013, no estado de São Paulo, 334 pessoas foram mortas por policiais. No ano seguinte, o número dobrou para 694, e no ano passado chegou a 750. De acordo com estudo apresentado pela Universidade Federal de São Carlos, a maioria das vítimas é de jovens, negros e moradores da periferia.

Para a assessora da Juventude da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, Juliana Martins da Silva, a polícia age com racismo porque ainda possui uma raiz na ditadura civil-militar (1964-1985). “O Estado tem uma construção de racismo institucional, principalmente a polícia militar, que vem de um histórico de ditadura e precisa se rearticular com relação às suas práticas.”

Segundo Juliana, enquanto isso, casos como o do menino Ítalo, muitas vezes nem entram nas estatísticas. “Ítalos morrem todos os dias dentro de diversos bairros da periferia e não são noticiados.”

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