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TCE: sem linhas para circular, trens novos do Metrô devem ser 'canibalizados' até 2017

Metrô utiliza peças de sete trens parados para consertar composições. Para o Sindicato dos Metroviários, prática pode pôr em risco segurança de passageiros. Governo tem 15 dias para prestar novos esclarecimentos
por Sarah Fernandes, da RBA publicado 20/05/2016 09h50
Metrô utiliza peças de sete trens parados para consertar composições. Para o Sindicato dos Metroviários, prática pode pôr em risco segurança de passageiros. Governo tem 15 dias para prestar novos esclarecimentos
Sindicato dos Metroviários
Metrô

Interior dos trens expõe a 'canibalização' sofrida pelas composições: luminárias e bancos removidos

São Paulo – O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE) avalia que trens novos da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), de responsabilidade do governo Geraldo Alckmin (PSDB), devem passar a servir de fontes de reposição de peças para composições que necessitam de manutenção até 2017, no processo chamado de “canibalização”. Atualmente, o Metrô utiliza peças de sete trens parados no pátio de Itaquera, zona leste da capital, para consertar outras composições que necessitam de revisão.

Para o Sindicato dos Metroviários de São Paulo, essa prática pode pôr em risco a segurança de passageiros e dos trabalhadores. “Determinadas peças que são reutilizadas já estão deterioradas ou desgastadas. Não passam por uma análise minuciosa”, disse o secretário-geral do sindicato, Alex Fernandes. Os trens “canibalizados” são as composições I, K e L.

A avaliação do assessoria técnico-jurídica do TCE se baseia em informações oferecidas pelo próprio Metrô em uma reunião realizada em 11 de março com o presidente da companhia, Paulo Menezes Figueiredo, o diretor de Engenharia e Construções, Paulo Sérgio Amalfi Meca, e diretor de Operações, Mário Fioratti Filho, na qual eles admitiram que retiraram peças de cinco trens para garantir a manutenção de outras composições.

De acordo com os dados, pelo menos 301 peças estão em falta no estoque do Metrô, que só deve ser completo no início de 2017. Os trens que estão atualmente parados devem entrar em operação até outubro. Os diretores também admitiram que faltam peças no estoque da companhia para realizar a manutenção dos trens. Dos 45 mil componentes, pelo menos 3% (cerca de 1.300) estão em falta. Já os metroviários falam em pelo menos 3 mil peças em falta.

“O entendimento da Engenharia (do TCE) é de até o início de 2017 outros trens novos estarão na mesma situação de ‘fonte de peças’”, diz o órgão em um despacho do conselheiro Antonio Roque Citadini, emitido quarta-feira (18). O governo paulista tem 15 dias para prestar ao órgão novos esclarecimentos sobre o tema. “Observa, ainda, a Engenharia, que os 3% de indisponibilidade de estoque tidos pela Cia. do Metropolitano como aceitáveis e que não trariam prejuízo à operação, no mínimo atrasam a disponibilização de novos trens parados à operação.”

Na reunião, Fioratti admitiu que se trata de uma “opção”, uma “estratégia de manutenção” que é feita em metrôs “no mundo todo”. “Se temos falha de uma peça em um trem, que está na garantia, mando a peça para o fabricante e retiro uma outra de um trem que esteja esperando a vez para realização de testes. Assim não retiro o trem de circulação. Temos uma fila de trens e utilizamos sempre o último da fila”, disse ao TCE.

Na reunião, a direção do Metrô apresentou ao TCE uma relação com centenas de peças em falta nos trens, dos mais variados tipos e aplicações. No entanto, a Engenharia do Tribunal de Contas apurou que vários dos itens listados não fazem parte dos trens das frotas I, K e L. Além disso, questiona o governo paulista pelo fato de estarem na lista peças que não precisariam ser encaminhadas para reparo em garantia, como bancos de obesos, de operadores e preferenciais, além de extintores de incêndio.

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