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Em 2011, Alckmin prometeu piscinões que não saíram do papel em Franco da Rocha

No mesmo ano, o MP paulista pediu à Sabesp e ao Daee mapeamento completo das regiões que poderiam sofrer enchentes, ações que mitigassem as cheias e melhorassem o alerta à população
por Redação RBA publicado 14/03/2016 18h31, última modificação 14/03/2016 18h37
No mesmo ano, o MP paulista pediu à Sabesp e ao Daee mapeamento completo das regiões que poderiam sofrer enchentes, ações que mitigassem as cheias e melhorassem o alerta à população
Paulo Pinto/Fotos Públicas
franco

Algumas regiões da cidade estão alagadas há três dias e não há previsão para a água baixar

São Paulo – O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), prometeu em março de 2011, após uma das maiores enchentes sofridas pelo município de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, construir quatro piscinões na cidade, que fica na região de vazão do reservatório Paiva Castro, do Sistema Cantareira, por meio do rio Juquery. Cinco anos depois, e nenhum piscinão construído, a cidade passa por uma nova enchente. Desde quinta-feira (10), a região central da cidade está debaixo d'água, situação agravada pela abertura da comporta, pela Sabesp, da represa Paiva Castro que chegou a 99,4% da capacidade.

“Desses quatro, nós conseguimos desapropriar o terreno de dois. Um deles ainda não. E o quarto, ele fica na divisa entre Franco da Rocha e Francisco Morato. Então, ali precisa de uma intervenção de desapropriação do próprio governo do estado, porque compreende a desapropriação de dois municípios. Os dois juntos têm capacidade de absorver mais de 600 milhões de litros de água, o que amenizaria, e muito, esse problema que a gente passou aqui”, lamentou o prefeito de Franco da Rocha, Kiko Celeguim (PT), ao portal G1.

Em outubro de 2011, o governo Alckmin assinou convênio com o governo federal para construção dos piscinões. O investimento seria de R$ 51,2 milhões, sendo R$ 28,5 milhões da União e R$ 22,7 milhões do estado. A parceria, no entanto, não se concretizou. O Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) informou hoje que vai iniciar a construção de um piscinão na cidade, no segundo semestre, e que espera a liberação de outra área para outro piscinão.

Também devido àquelas enchentes, o Ministério Público paulista se reuniu com a Sabesp e o Daee, ainda em 2011, e pediu um mapeamento completo das regiões que poderiam sofrer enchentes decorrentes da abertura de comportas de reservatórios, inclusive Franco da Rocha, além de ações que mitigassem as cheias e melhorassem o alerta à população quando houvesse emergências.

Além da falta dos piscinões, Franco da Rocha sofre agora com o acúmulo de água liberada da represa Paiva Castro, que ainda mantém submerso o centro da cidade. “Fomos avisados, pela Sabesp, às 2h26 da sexta feira (11), de que o plano de contingência do reservatório seria iniciado às 6h. A Defesa Civil municipal tinha iniciado nosso plano de contingência às 22h. E por isso as consequências não foram piores”, afirmou o diretor de Comunicação da prefeitura, Paulo de Tarso.

A vazão de água normal do rio Juquery é de 2 mil litros por segundo. Para garantir a segurança do reservatório, que aumentou de 35% para 99,4% em menos de 12 horas, a Sabesp liberou uma vazão de 10 mil litros por segundo, que foi aumentada para 18 mil e depois, 50 mil. As comportas da represa já foram fechadas, mas não há previsão de quando a água vai baixar.

Pelo menos 200 famílias estão desabrigadas em Franco da Rocha. Em toda a Região Metropolitana de São Paulo, 26 pessoas morreram vítimas de deslizamentos de terra e enchentes devido às chuvas que ocorreram entre quinta e sexta-feira.