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Agricultores familiares vão a Brasília pedir perdão de dívidas

Sindicato, federação e Contag também pedem que governo facilite acesso ao Proagro
Publicado por Redação RBA
16:49
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Tomaz Silva/Agência Brasil
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Agricultores familiares sofrem com a contaminação do Rio Doce

São Paulo – Em busca da anistia das dívidas, cerca de 700 agricultores familiares sairão do Espírito Santo e de Minas Gerais neste domingo (6) rumo a Brasília. A comitiva faz parte da Mobilização pela Anistia das Dívidas e por Mais Direitos idealizada pela Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras no Estado do Espírito Santo (Fetaes).

A mobilização está prevista para ocorrer nos próximos dias 7 a 10. O ato será realizado em parceria com Sindicatos de Trabalhadores Rurais (STR) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). Ao todo, 16 ônibus devem partir rumo à capital do país, sendo 11 do Espírito Santo (saindo da capital, Vitória, e do norte do estado) e cinco, de Minas Gerais (de cidades próximas ao estado capixaba).

Segundo o presidente da Fetaes, Julio Cesar Mendel, a mobilização possui pautas objetivas. “Queremos a anistia das dívidas, a facilitação do acesso ao Seguro Proagro e um subsídio aos agricultores que estão sofrendo com a contaminação do Rio Doce.”

Para o presidente da federação, o Espírito Santo está “vivendo uma das maiores secas da história”, o que provocou grande perda na produção de 2015, e também prevê outro déficit para este ano. Mendel também explica que a dívida cobrada é relativa ao crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

“O Espírito Santo sempre foi um exemplo de adimplência com o governo federal, mas estamos vivendo um momento difícil, e 85% das propriedades do estado são a base da agricultura familiar. Então, o nosso objetivo é que haja o perdão da dívida com os bancos referentes à safra de 2014 a 2016”, afirma.

Outro ponto contestado por Julio Cesar é a dificuldade que os agricultores enfrentam para ter acesso ao seguro Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro). “Quando o agricultor tem acesso ao crédito, ele também compra o seguro. Porém, a burocracia que o agricultor enfrenta dos agentes financeiros para acessar o seguro é gigante, sendo que no Espírito Santo apenas uma minoria conseguiu.”

“Se o seguro tivesse reembolsado os agricultores que tiveram perdas, não haveria a necessidade do perdão das dívidas”, conclui.

Com a contaminação do Rio Doce, motivada pelo rompimento da barragem da mineradora Samarco em novembro do ano passado, em Mariana (MG), agricultores capixabas estão com dificuldade para manter a produção, conta Mendel.

“A contaminação do Rio Doce foi a prior agressão ao meio ambiente em Minas Gerais e no Espirito Santo. Nós já estávamos convivendo com uma falta de água gigante, mas quem estava à margem do Rio Doce tinha um pouco de água, porém, eles não podem mais fazer a irrigação, devido à contaminação na água.”

O presidente da Fetaes conta que outras conversas com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, já ocorreram, mas não houve um acordo. Entretanto, ele afirma que está otimista para uma resolução em Brasília. “A base do Espírito Santo é a agricultura, ou seja, se não tivermos um avanço com o governo federal, o estado inteiro vai perder. Portanto, se não houver uma medida emergencial para minimizar no médio ou longo prazo, a consequência será o esvaziamento do meio rural.”