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'A Globo não é dona do Brasil', diz Sidney Rezende

O jornalista falou pela primeira vez neste final de semana sobre sua demissão do canal de notícias da Rede Globo em novembro do ano passado, sem direito a comunicado de despedida
por Redação RBA publicado 29/02/2016 11h04, última modificação 29/02/2016 12h32
O jornalista falou pela primeira vez neste final de semana sobre sua demissão do canal de notícias da Rede Globo em novembro do ano passado, sem direito a comunicado de despedida
Divulgação/SRZD
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Rezende: "Globo extrapola os seus limites e impedindo que as expressões populares do nosso país funcionem"

Portal Vermelho – O portal Notícias da TV publicou ontem (28) que em uma premiação dos melhores do Carnaval do Rio de Janeiro, que reuniu em torno de 600 pessoas no sábado (27), o jornalista Sidnei Rezende fez pela primeira vez em público, um duro discurso contra a sua antiga emissora, onde trabalhou durante mais de 20 anos. O jornalista disse que a Globo está "extrapolando os seus limites" e "impedindo que as expressões populares do nosso país funcionem de uma maneira mais clara". "A Globo não é dona do Brasil, a Globo não é dona do Carnaval, a Globo não é dona do futebol", bradou, propondo um "questionamento de competência" da emissora.

Jornalista respeitado nos meios profissional e acadêmico, Rezende foi dispensado pela Globo em 13 de novembro, um dia depois de publicar em seu site, o SRZD, um texto em que criticava a obsessão dos jornalistas por "notícias ruins" e pela aposta no impeachment da presidenta Dilma Rousseff como "único caminho para a redenção nacional".

Segundo o portal, o contrato de Rezende com a Globo só venceu ontem e por isso, o jornalista manteve silêncio até o último sábado. O jornalista aproveitou a premiação do Carnaval que seu site promove para expor seu posicionamento diante da Globo.

A fala do jornalista foi uma reação à "interferência" da emissora nos horários do futebol e dos desfiles das escolas de samba. "A Globo está ultrapassando os seus limites como meio de comunicação no momento em que interfere em horários de festividades, nas partidas de futebol, nos desfiles das escolas de samba, quando altera as festividades populares por uma grade de programação de seu interesse", explicou ao site Notícias da TV.

Ainda segundo o Notícias da TV, o prestígio da Globo, para o jornalista, "tomou um viés que acabou sufocante para as expressões culturais". Rezende afirma que, como detentora da transmissão, a Globo tem todo o direito de exigir um bom espetáculo. No caso do Carnaval, pode determinar quantas câmeras e quantos microfones captarão a transmissão, mas não impor o ritmo e o tempo do desfile, como vem gestando nos bastidores. "Ela (a Globo) não pode interferir no processo de criação de maneira sufocante", afirma.

O jornalista ressaltou em seu discurso que não tem mágoas da emissora, mas que defende uma "alternativa a este modelo único". Sem revelar detalhes, diz que seu novo projeto profissional será uma dessas alternativas, algo "ambicioso" que irá "de encontro ao espírito público". "Não estou criando nada deliberadamente contra a Globo. Não sou viúva da Globo. Estou contra o olhar único", diz.

Demissão

Na época em que foi demitido, Rezende não concordou que teria que mentir a pedido do diretor geral de jornalismo da Globo, Ali Kamel, que segundo o jornalista, concordasse com uma nota oficial em que seria dito que ele estava saindo da emissora a pedido, para cuidar de seu site. Mas o jornalista não concordou e acabou ficando sem a despedida oficial, em que o diretor Kamel, enumera as qualidades profissionais do dispensado.

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