Home Cidadania Termina terceiro ato contra alta de tarifas em São Paulo. PM só acompanhou
vozes

Termina terceiro ato contra alta de tarifas em São Paulo. PM só acompanhou

Sem truculência policial e com milhares de manifestantes, passeatas mostram que movimento deve continuar. Novo ato já está marcado para a próxima terça (19)
Publicado por Redação RBA
21:42
Compartilhar:   
Lucas Duarte de Souza / RBA
Ato14jan3.JPG

Manifestantes chegam à Paulista para encerramento do terceiro grande ato contra alta do transporte público

São Paulo – Com a participação de cerca de 12 mil manifestantes, terminaram por volta das 21h de hoje (14) os atos simultâneos organizados pelo Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento de tarifas do transporte público em São Paulo. Foram registrados pequenos incidentes, mas até as 21h20 não se repetiram os episódios da truculência policial, depois que na última terça-feira (12) a Polícia Militar reprimiu violentamente a manifestação prevista, na Avenida Paulista, deixando dezenas de feridos e 12 detidos.

Os protestos foram organizados a partir do Teatro Municipal, no centro, e do Largo da Batata, região de Pinheiros, zona oeste da capital. O primeiro bloco seguiu até a Avenida Paulista, subindo pela Avenida Brigadeiro Luís Antônio, depois de passar pelos prédios da Secretaria da Segurança Pública, da prefeitura da capital e o do Ministério Público Estadual. O segundo bloco passou pela Cidade Universitária e foi encerrado em frente à estação Butantã do da Linha 4-Amarela do Metrô.

Mesmo sob chuva constante e forte aparato policial, os milhares de manifestantes participaram do começo ao fim do ato, entoando cantos como “Alckmin interesseiro, deixa de ser lóki, fala pros PMs que ‘cês num são o Robocop!”. O protesto foi também pelo direito à livre manifestação e pelo exercício da democracia.

Apesar da tensão, sobretudo na região central, onde os veículos blindados da Tropa de Choque e centenas de policiais estavam posicionados desde as 14h, ambas as marchas ocorreram sem incidentes. “Nós queremos que o ato tenha começo, meio e fim. Fizemos o que foi pedido, o trajeto foi divulgado as 14h. E reafirmamos que não é poder público ou a polícia que tem de definir o roteiro de uma manifestação e sim os participantes”, afirmou o militante do MPL Vítor Quintiliano.

O MPL considerou “hipócrita” a reunião realizada na manhã de hoje na sede do Ministério Público Estadual (MPE), para discutir o direito à manifestação e mediar a relação entre ativistas e as forças de segurança do governo Geraldo Alckmin. “Depois de toda violência, dos espancamentos, da ação ilegal de impedir a manifestação, aí querem dialogar? É muito claro o diálogo do poder público: bomba, bala de borracha e prisão”, disse Vítor, que também comentou que o movimento ainda não definiu se vai participar da reunião marcada para a próxima segunda-feira (18), as 10h, na sede do MPE.

“A única coisa que queremos dos gestores públicos nesse momento é a revogação do aumento das tarifas. E vamos encher o saco até que atendam nossas reivindicações”, completou.

Ambos os blocos encerraram o ato com uma mensagem em formato jogral, que antecipou a data de nova manifestação, na próxima terça. “Até lá, travaremos terminais e ruas para barrar o aumento e a tarifa. Amanhã vai ser maior.”

Em ambos os pontos, porém, os manifestantes tiveram problemas para dispersão. A PM formou um grosso cordão para impedir o fluxo de pessoas no sentido Consolação, na Paulista. Além disso, a estação do metrô Consolação estava fechada. Houve tensão e as portas foram abertas. Há relatos de que seguranças do próprio Metrô dispararam morteiros em direção aos manifestantes, o que provocou tumulto. Pelo menos cinco jovens foram detidos e um foi ferido na cabeça.

No Butantã, a estação foi parcialmente fechada. Um grupo aglomerou em uma das entradas abertas e a PM utilizou uma bomba de gás lacrimogêneo para dispersa-los. Houve correria e um grupo de 30 manifestantes foi perseguido pela Tropa de Choque até a Marginal Pinheiros, tendo seis deles entrado em uma loja de departamentos, onde acabaram detidos.

Muitos lembraram que o Metrô liberou as catracas em dias de manifestações organizadas pelo impeachment da presidenta da República, Dilma Rousseff, e motivações semelhantes. No Butantã, um grupo de ativistas que conseguiu entrar na estação permaneceu sentado no saguão reivindicando a liberação das catracas. A estação ficou fechada por 30 minutos, mas a direção da Via Quatro, consórcio privado que opera a linha, acabou cedendo e liberou as catracas aos que estavam na estação.


registrado em: , ,