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Termina terceiro ato contra alta de tarifas em São Paulo. PM só acompanhou

Sem truculência policial e com milhares de manifestantes, passeatas mostram que movimento deve continuar. Novo ato já está marcado para a próxima terça (19)
por Redação RBA publicado 14/01/2016 21h42, última modificação 15/01/2016 15h10
Sem truculência policial e com milhares de manifestantes, passeatas mostram que movimento deve continuar. Novo ato já está marcado para a próxima terça (19)
Lucas Duarte de Souza / RBA
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Manifestantes chegam à Paulista para encerramento do terceiro grande ato contra alta do transporte público

São Paulo – Com a participação de cerca de 12 mil manifestantes, terminaram por volta das 21h de hoje (14) os atos simultâneos organizados pelo Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento de tarifas do transporte público em São Paulo. Foram registrados pequenos incidentes, mas até as 21h20 não se repetiram os episódios da truculência policial, depois que na última terça-feira (12) a Polícia Militar reprimiu violentamente a manifestação prevista, na Avenida Paulista, deixando dezenas de feridos e 12 detidos.

Os protestos foram organizados a partir do Teatro Municipal, no centro, e do Largo da Batata, região de Pinheiros, zona oeste da capital. O primeiro bloco seguiu até a Avenida Paulista, subindo pela Avenida Brigadeiro Luís Antônio, depois de passar pelos prédios da Secretaria da Segurança Pública, da prefeitura da capital e o do Ministério Público Estadual. O segundo bloco passou pela Cidade Universitária e foi encerrado em frente à estação Butantã do da Linha 4-Amarela do Metrô.

Mesmo sob chuva constante e forte aparato policial, os milhares de manifestantes participaram do começo ao fim do ato, entoando cantos como "Alckmin interesseiro, deixa de ser lóki, fala pros PMs que 'cês num são o Robocop!". O protesto foi também pelo direito à livre manifestação e pelo exercício da democracia.

Apesar da tensão, sobretudo na região central, onde os veículos blindados da Tropa de Choque e centenas de policiais estavam posicionados desde as 14h, ambas as marchas ocorreram sem incidentes. "Nós queremos que o ato tenha começo, meio e fim. Fizemos o que foi pedido, o trajeto foi divulgado as 14h. E reafirmamos que não é poder público ou a polícia que tem de definir o roteiro de uma manifestação e sim os participantes", afirmou o militante do MPL Vítor Quintiliano.

O MPL considerou "hipócrita" a reunião realizada na manhã de hoje na sede do Ministério Público Estadual (MPE), para discutir o direito à manifestação e mediar a relação entre ativistas e as forças de segurança do governo Geraldo Alckmin. "Depois de toda violência, dos espancamentos, da ação ilegal de impedir a manifestação, aí querem dialogar? É muito claro o diálogo do poder público: bomba, bala de borracha e prisão", disse Vítor, que também comentou que o movimento ainda não definiu se vai participar da reunião marcada para a próxima segunda-feira (18), as 10h, na sede do MPE.

"A única coisa que queremos dos gestores públicos nesse momento é a revogação do aumento das tarifas. E vamos encher o saco até que atendam nossas reivindicações", completou.

Ambos os blocos encerraram o ato com uma mensagem em formato jogral, que antecipou a data de nova manifestação, na próxima terça. "Até lá, travaremos terminais e ruas para barrar o aumento e a tarifa. Amanhã vai ser maior."

Em ambos os pontos, porém, os manifestantes tiveram problemas para dispersão. A PM formou um grosso cordão para impedir o fluxo de pessoas no sentido Consolação, na Paulista. Além disso, a estação do metrô Consolação estava fechada. Houve tensão e as portas foram abertas. Há relatos de que seguranças do próprio Metrô dispararam morteiros em direção aos manifestantes, o que provocou tumulto. Pelo menos cinco jovens foram detidos e um foi ferido na cabeça.

No Butantã, a estação foi parcialmente fechada. Um grupo aglomerou em uma das entradas abertas e a PM utilizou uma bomba de gás lacrimogêneo para dispersa-los. Houve correria e um grupo de 30 manifestantes foi perseguido pela Tropa de Choque até a Marginal Pinheiros, tendo seis deles entrado em uma loja de departamentos, onde acabaram detidos.

Muitos lembraram que o Metrô liberou as catracas em dias de manifestações organizadas pelo impeachment da presidenta da República, Dilma Rousseff, e motivações semelhantes. No Butantã, um grupo de ativistas que conseguiu entrar na estação permaneceu sentado no saguão reivindicando a liberação das catracas. A estação ficou fechada por 30 minutos, mas a direção da Via Quatro, consórcio privado que opera a linha, acabou cedendo e liberou as catracas aos que estavam na estação.


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