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Transporte público

Protestos no Rio e em BH contestam aumentos e reclamam por qualidade

Leia e assista a reportagens da TVT, Mídia Ninja e Jornalistas Livres sobre a situação nas principais capitais
por Redação RBA publicado 09/01/2016 12h37
Leia e assista a reportagens da TVT, Mídia Ninja e Jornalistas Livres sobre a situação nas principais capitais
Mídia Ninja
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Manifestação no Rio de Janeiro contra o aumento nas passagens de R$ 3,40 para R$ 3,80 e a redução da circulação

São Paulo – O aumento de 10% das tarifas de ônibus no Rio de Janeiro não vem acompanhado da melhoria no sistema de transporte. As passagens das linha municipais passaram de R$ 3,40 para R$ 3,80. As linhas intermunicipais, barcas, trens e metrôs também sofrerão reajuste.

A prefeitura chegou a anunciar que 100% da frota passaria a ter ar-condicionado, o que seria uma das razões para o reajuste, mas a meta caiu para 70%. Com objetivo de melhorar o trânsito para a ocasião dos jogos olímpicos, a administração também reduziu a circulação de 700 ônibus que passam pela zona sul e mudou o itinerário de algumas linhas.

O aumento das passagens terá mais impacto para a população que mora nas zonas norte e oeste e tem de fazer baldeação para chegar ao trabalho na zonal sul. De acordo com o integrante do Fórum de Mobilidade Urbana Ricardo Novaes, a modificação aumentará o tempo de viagem. “E aumentando o tempo, o bilhete único, com validade durante duas horas e meia, não será mais suficiente”, diz Novaes, para quem a tarifa e a reorganização do sistema de transporte representarãm mais uma etapa do processo de segregação da cidade. “Na medida em que você aumenta demais esses valores você está impedindo essas pessoas que moram mais distantes de ter acesso a melhores condições de trabalho, estudo, saúde e lazer.”
Assista à reportagem de Ana Ribeiro, do Rio de Janeiro, para o Seu Jornal, da TVT.

O ano mal começou e as ruas já mostram sua disposição de luta. O primeiro round, como não podia ser diferente, volta a ser a batalha dos transportes, aberta desde junho 2013 e ainda latente no país. Por enquanto, as máfias empresariais vão vencendo a guerra. A caixa-preta das contas do setor permanece fechada e os lucros intocados dos barões do transporte. A melhoria na qualidade dos serviços não deixou de ser uma promessa na maior parte das capitais e a paciência cidadã se esgota.

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Protestos também em Belo Horizonte

Com informações de Florence Poznanski, para Jornalistas LivresEm Belho Horizonte, protesto lembro também a baixaria e o golpismo na política

O ato teve como objetivo denunciar o terceiro aumento do ano desde janeiro 2015. A tarifa, que na época era de R$ 3,10, subiu para R$ 3,40 em agosto de 2015 antes de ser rebaixada de novo para R$ 3,10 por decisão judicial a pedido da Defensoria Pública de Minas Gerais. Mas a Prefeitura de Belo Horizonte ganhou o recurso e conseguiu revogação da liminar em outubro e a passagem aumentou de novo para R$ 3,40. Desde domingo 3 de janeiro deste ano, a passagem subiu para R$ 3,70, ou seja 20% a mais que em janeiro do ano anterior. Um aumento bem acima do índice de inflação de 11%. As outras tarifas também aumentaram, mas em proporção menor. As intermunicipais passaram de R$ 3,95 a 4,45 (12%), e não tiveram reajuste no meio do ano 2015.

O Ministério Público de Minas Gerais já entrou com ação pedindo a suspensão do aumento e novo calculo do valor, mas até hoje o pedido não foi analisado.
Segundo o Movimento Passe Livre, esse aumento não é um acaso nesse ano de eleição. O movimento denuncia a prática de desvio de dinheiro praticada pelas empresas de ônibus que são notórias financiadoras das campanhas eleitorais. O atual Prefeito, Marcio Lacerda, que fecha seu segundo mandato com alta insatisfação popular, terá que redobrar de apoios para conseguir a eleição de seu sucessor no cargo.

Essa troca de favores entre poder público e empresas privadas é o principal obstáculo há implantação de um sistema público de transporte, reivindicado pelos movimentos. Nessa sexta feira, estudantes, trabalhadores e militantes gritaram a insatisfação popular perante esse aumento inaceitável sem melhoria do serviço. A mobilização segue firme e promete novos atos se a tarifa não baixar.