Passe Livre

Ato contra alta da tarifa em SP vai cobrar secretários, vereadores e deputados

Em quinta manifestação contra alta das tarifas do transporte – sem apoio do MTST –, MPL fará marcha única, mudando a estratégia utilizada nos dois últimos atos

Paulo Pinto / Fotos Públicas
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Movimento que quer a revogação da alta de tarifas do transporte em São Paulo tem novo ato nesta quinta

São Paulo – O Movimento Passe Livre (MPL) divulgou há poucos minutos o trajeto do quinto ato contra o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo, por meio do qual pretende cobrar os representantes estaduais e municipais pela revogação imediata do aumento de R$ 3,50 para R$ 3,80, em vigor desde o último dia 9. Hoje (21), os manifestantes vão sair do Terminal Parque Dom Pedro II, na região central, por volta das 18h, e pretendem encerrar a manifestação na Assembleia Legislativa, na região do Ibirapuera, zona sul, em um trajeto de aproximadamente oito quilômetros.

No caminho, os ativistas vão passar pelas secretariais municipal dos Transportes e estadual dos Transportes Metropolitanos, e pela Câmara Municipal. Daí seguem pela Avenida 23 de Maio, até a sede do Legislativo estadual.

“Hoje vamos cobrar quem decide pelo nosso sofrimento! Iremos para a secretaria de transporte, o escritório dos mafiosos do transporte, cobrar a redução imediata da tarifa. Para Câmara dos Vereadores de São Paulo denunciar o processo licitatório dos transportes municipais, que perpetua a lógica do transporte como mercadoria por, pelo menos, mais 20 anos! Seguiremos para a Assembleia Legislativa do estado, para denunciar o descaso com o metrô e trens da CPTM, que nos colocam em risco todo dia, travam a cidade com sua ineficiência e ainda geram lucros gigantescos nos esquemas de cartéis e nas linhas privatizadas”, diz o MPL em sua página na internet.

No ato de hoje, o MPL vai realizar uma marcha única, mudando a estratégia utilizada nos dois últimos atos. Também não contará com o apoio do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que realizou dois atos simultâneos aos do Passe Livre, nas zonas leste e sul, na última terça-feira (19).

Na noite de ontem (20), a Secretaria estadual da Segurança Pública emitiu mais uma nota lamentando que o MPL não tenha comunicado antes o trajeto. E informou que a Polícia Militar não vai permitir a obstrução do Terminal Parque Dom Pedro II, com base no artigo 262 do Código Penal “Expor a perigo outro meio de transporte público, impedir-lhe ou dificultar-lhe o funcionamento”.

Até o momento não houve nenhum aceno por parte dos governos municipal e estadual para dialogar sobre a revogação do aumento. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Fernando Haddad (PT) têm ironizado as mobilizações em declarações públicas. O primeiro questionou por que o MPL não se mobiliza contra outros aumentos, como o da inflação. “Estranho, não teve nenhuma manifestação quando a energia elétrica subiu 70%. Então, vandalismo seletivo não, isso o paulista sabe diferenciar bem as coisas e não aceita”, disse Alckmin, no dia 14.

Hoje, Haddad disse que só um mágico poderia instituir tarifa zero no transporte da capital paulista. “Eu não prometi passe livre na campanha, prometi Bilhete Único Mensal, faixa e corredor de ônibus. Fiz mais do que prometi, inclusive”, disse o prefeito. “Tem tanta coisa que podia vir na frente, podia ser almoço grátis, jantar grátis, ida pra Disney grátis. Começa a ficar uma conversa que você não sabe aonde vai dar”, completou.

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