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'Fomento à burrice' sustenta onda conservadora contra direitos das mulheres, diz filósofa

Marcia Tiburi afirma que ataques machistas por parte de parlamentares revelam "miséria ideológica" e que mobilizações que cobram a saída de Eduardo Cunha é "maravilhoso"
por Redação da RBA publicado 12/11/2015 15h47
Marcia Tiburi afirma que ataques machistas por parte de parlamentares revelam "miséria ideológica" e que mobilizações que cobram a saída de Eduardo Cunha é "maravilhoso"
Vladimir Plantonow/Agência Brasil
Fora Cunha

Nesta quinta-feira, mulheres tomam de novo às ruas cobrando a saída do presidente da Câmara, Eduardo Cunha

São Paulo – Para a filósofa e escritora Marcia Tiburi, a onda conservadora, que parte do Congresso Nacional, ameaça os direitos das mulheres, e as questões de gênero não avançam, no Brasil, porque existe um fomento à burrice e uma má vontade de compreender o que está acontece com elas.

Em entrevista à Rádio Brasil Atual hoje (12) Marcia diz que ataques autoritários e machistas, inclusive da parte de congressistas e legisladores, demonstram profunda ignorância política e histórica, como foi o caso da moção de repúdio contra Simone de Beauvouir, feita pela Câmara de vereadores de Campinas, após a obra da escritora ter sido citada no Enem deste ano.

A filósofa classifica o ocorrido como "miséria ideológica" e diz que o alarido em torno atende aos interesses desses grupos, que esperam criar uma espécie de "gritaria ideológica". "Eles esperam que a gente fique confuso, que as pessoas fiquem estarrecidas e perturbadas. Tem que parar de dar atenção a esses sujeitos." Marcia afirma que a mídia corporativa dá valor a essas figuras porque também espera que "as coisas continuem como estão e não se modifiquem", e cobra mais espaço para as feministas.

Marcia afirma que a ignorância se elevou à razão de estado. "Existe uma tremenda ignorância. É um desconhecimento da história do pensamento, da história política. Ao mesmo tempo, o desconhecimento acerca do feminismo sobrevive em função dos discursos misóginos que são feitos contra as mulheres, justamente para que o feminismo não avance."

O movimento das mulheres, que aconteceu de forma espontânea, nas redes sociais, e vem tomando as ruas das principais cidades brasileiras reacendeu a discussão sobre direitos. Após a conquista das mulheres do direito ao voto, em 1932, e a inserção no mercado de trabalho, em 1960, o desafio das mulheres, neste momento, segundo Marcia Tiburi, é lutar contra o autoritarismo, que também é uma forma de machismo.

"As mulheres, historicamente, sempre se posicionaram. É que as mulheres acabaram sendo silenciadas pelos poderes dominantes, no caso o poder da dominação masculina, que a gente chama de patriarcado." A filosofa diz ser "maravilhoso de ver" tais manifestações e espera que não sejam novamente silenciadas.

Para Marcia Tiburi, esse é o momento para que as mulheres mostrem aquilo que o feminismo tem para ensinar, para a sociedade, para a cultura e para a política. Ela diz que medidas tomadas no Congresso, deputados que classifica como "misóginos, homofóbicos, neofundamentalistas", possuem traços fascistizantes, e que tratam-se de "vozes muito potentes".

Ouça a entrevista completa: