tragédia

Em Bento Rodrigues, famílias estão sem perspectiva de reinício

Integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens Alexandra Maranho conta que empresa não se preocupou com a vulnerabilidade dos moradores da região afetada pelo rompimento das barragens

Antonio Cruz/Agência Brasil
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Rompimento destruiu o distrito de Bento Rodrigues e, até o momento, foram registradas três mortes

São Paulo – Em entrevista à Rádio Brasil Atual, a integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) Alexandra Maranho relatou a situação atual das centenas de pessoas que estão desabrigadas depois do rompimento das barragens de Fundão e Santarém, na última quinta-feira (5) em Mariana (MG). O rompimento destruiu o distrito de Bento Rodrigues e, até o momento, foram registradas três mortes. Segundo ela, 24 pessoas estão desaparecidas, entre funcionários da empresa e moradores da região.

Como é a situação de hoje na cidade?

A comunidade está sensibilizada e mobilizada para ajudar as famílias que estão bastante perdidas, sem saber o que fazer. A pedido do Ministério Público, as famílias afetadas foram colocadas em hotéis, mas ainda estão sem informação, sem perspectiva de futuro, pois não sabem o que será delas, e como a empresa e o poder público irão agir.

As crianças estão sem espaço nos hotéis e os pais estão preocupados, porque elas ficam na rua. Portanto, é um ambiente incerto e com uma grande mobilização em torno da comunidade.

Você tem dados sobre as vítimas, feridos e desabrigados?

Pelos dados oficiais, que recebemos pela imprensa, são 24 desaparecidos e três corpos foram encontrados, mas diante dos desaparecidos estamos questionando o porquê eles não são encontrados.

Muitas famílias estão desesperadas e sem informação. A empresa criou uma barreira, não passa informação, estão apenas pegando o nome das pessoas desaparecidas, mas não há uma clareza no que é informado às famílias.

Quais são as informações sobre os desabrigados que estão em hotéis?

São cerca de 600 pessoas que estão nos hotéis e algumas foram às casas de familiares que moravam na cidade.

No primeiro dia, as famílias foram levadas ao ginásio de Mariana. Depois, o MP disse que o espaço não era adequado às famílias, então, a Samarco teve de colocar as pessoas em hotéis. Entretanto, a empresa não determinou um tempo para que ficassem hospedados. Os donos dos hotéis têm outras reservas e estão preocupados com isso.

Há alguma indicação do motivo do rompimento das barragens?

Há várias hipóteses que a mídia e nós colocamos. A população de Bento Rodrigues já tinha medo de que isso acontecesse e se mobilizava para saber os riscos no local, porém, a empresa dizia que estava ‘tudo certo’.

Algumas horas antes do rompimento houve alguns tremores e a empresa não avisou a população, e após o fato, a empresa não avisou os moradores. As pessoas da região tiveram que se mobilizar para sair do local.

Nós vemos a situação como uma irresponsabilidade da empresa, que poderia ter feito muito mais nesse momento trágico.

O que mais chama sua atenção nessa tragédia?

Como a empresa corre atrás do lucro e não se preocupa com a vulnerabilidade das pessoas. Sabemos que 89% da economia de Mariana é movida pelas empresas de mineração, então, quando essas empresas chegam no local, no mínimo, elas deveriam dar condições para que as famílias vulneráveis tenham uma vida melhor.

Neste momento tudo está incerto, as famílias que tinham plantação, animais, têm que começar tudo do zero e sem saber de onde. Elas aguardam o que a empresa vai propor, e a nossa preocupação é se as famílias vão participar desse processo com o Ministério Público.

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