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redução de danos

Bairro da Luz, no centro de São Paulo, tem mutirão cultural neste sábado

Em parceria com a OSCIP Sabiá, Secretaria Municipal de Direitos Humanos lança oficialmente projeto para integrar moradores da região com atividades culturais e intervenções urbanas
por Sarah Fernandes, da RBA publicado 23/10/2015 15h19, última modificação 23/10/2015 18h47
Em parceria com a OSCIP Sabiá, Secretaria Municipal de Direitos Humanos lança oficialmente projeto para integrar moradores da região com atividades culturais e intervenções urbanas
Reprodução
Cidadania Rodante

Participante do Cidadania Rodante prepara Jornal Mural na região da Luz

São Paulo – A prefeitura de São Paulo, em parceria com a Associação Sabiá, promove amanhã (24) uma série de atividades artísticas e de intervenções urbanas nas ruas do bairro da Luz, na região central de São Paulo, entre 10h e 17h. O evento lança oficialmente o segundo ciclo de um projeto que visa a integrar a população do bairro oferecendo atividades culturais para moradores e para os participantes do programa De Braços Abertos.

O mutirão cultural ocorrerá na Rua Helvetia, entre as alamedas Dino Bueno e Barão de Piracicaba. Na ocasião, artistas e gestores do projeto vão juntar-se à comunidade local em diversas atividades simultâneas, ocupando de um jeito criativo e inovador as ruas da Luz. A programação conta com oficinas de capoeira e grafite, roda de samba com o grupo Kolombolo Diá Piratininga, e entrega de mudas. Tudo será gratuito.

"Atividades que envolvam a arte e a cultura são sempre importantes meios para a promoção da cidadania e o desenvolvimento educacional. Numa região como a Luz, com todas as peculiaridades ali existentes, envolver as pessoas que frequentam o local nesse tipo de ação, mais do que um divertimento que integra as pessoas, é também um modo de reconhecê-las como cidadãs de direitos", afirma o secretário municipal de Direitos Humanos, Eduardo Suplicy, que também participará do mutirão.

A programação de sábado faz parte do projeto Cidadania Rodante, que começou em agosto deste ano e vai até julho de 2016, por meio de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC) e da Associação Sabiá. O objetivo principal é promover a integração entre as diferentes pessoas que circulam pela Luz, sejam, por exemplo, moradores, comerciantes ou participantes do programa De Braços Abertos. O projeto ocorre também no Largo do Arouche, com foco na população LGBT, e na Praça Kantuta, com os migrantes.

“Esse projeto foi desenhado considerando o território, em uma perspectiva de ampliar o olhar para essa região. Não é só para os beneficiários do De Braços Abertos nem só para tirar estigma da Luz como região da cracolândia. Visamos criar vínculo entre as pessoas da região, por meio das atividades culturais”, explica a coordenadora de Promoção de Direito a Cidade da Secretaria de Direitos Humanos, Marília Jahnel.

O Cidadania Rodante já havia sido posto em prática por meio de um projeto piloto que durou dez meses, em 2014, também na região da Luz. Durante o período, ocorreram sessões de cinema ao ar livre, oficinas de grafite, produção de um minidocumentário contando história de moradores, distribuição de mudas e a construção de uma horta urbana comunitária. Como resultado, quem caminha pelas ruas do bairro hoje pode encontrar pinturas, cartazes pelos muros, além da distribuição de floreiras e vasos e de bancos construídos nas calçadas.

O projeto também atua em diálogo com o De Braços Abertos como uma das estratégias de redução de danos, ao oferecer aos dependentes químicos uma série de atividades artísticas e urbanas como o Jornal Mural, a Roça Urbana e o CineLuz. “O cinema é um exemplo fácil: os usuários de crack chegam, ficam lá conosco duas ou três horas e tiram o foco da droga. É comum ouvir deles coisas como ‘Hoje eu tive mais vida, consegui não fumar tanto’”, relata o articulador do projeto, Julio Dojcsar, conhecido como Julinho.

“A pessoa acaba olhando para o seu passado e percebe que é alguém, e que deve cuidar mais de si. Já presenciei pessoas que fumavam 30 pedras por dia e depois das intervenções conseguiram ficar um dia inteiro sem fumar”, continua. “A ideia é não tratar pela abstinência, mas dar a eles a oportunidade de ter uma disciplina na vida, com horário para acordar, com trabalho, com casa para morar e com lazer e cultura. Isso funciona muito, vemos exemplos todo dia. É uma política que vem sendo adotada em vários países do mundo.”

Confira a programação completa do mutirão cultural

Rua Helvetia (entre alamedas Barão de Piracicaba e Dino Bueno)
Sábado, 24/10, das 10h às 17h

10h às 12h - Oficina de capoeira com mestre Baiano
10h às 13h - Oficina comunitária de bicicletas com Aromeiazero, horta urbana e marcenaria de rua
10h às 15h - DJ
10h às 16h - Ônibus-Biblioteca: Livros Livres
10h às 17h - Ações de redução de danos, grafite, lambe e stencil
11h às 14h - Histórias em tecido e bordados 12h às 16h - Parque de Bambu
13h às 16h - Rádio-reportagem
13h30 às 14h30 - Bateria Coração Valente
14h às 16h - Um vaso pra chamar de seu
14h às 17h - Lixeiras Lúdicas e Poéticas
15h às 17h - Roda de samba com Kolombolo Diá Piratininga