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Garantir trabalho é essencial para refugiados que vivem no Brasil

Onda de solidariedade tem aumentado o volume de doações. Para além de roupas e alimentos, entidade pede que sejam doados equipamentos e ferramentas de trabalho
Publicado por Redação da RBA
11:10
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reprodução/TVT
refugio

Número de refugiados, no Brasil, saltou de 500, em 2010, para 12 mil, no ano passado

São Paulo – No Rio de Janeiro, a mobilização provocada pela situação crítica de sírios, principalmente após a divulgação da foto de uma criança morta afogada na costa da Turquia, que comoveu o mundo, criou uma onda de solidariedade que beneficia imigrantes de diversos países. Contudo, o maior desafio para os refugiados que chegam ao Brasil é encontrar condições de trabalho.

As contribuições de roupas, alimentos, utensílios domésticos e dinheiro são muito bem-vindos, mas a principal ajuda, segundo Aline Thuller, da Cáritas (entidade que presta atendimento aos imigrantes), é dar meios para que quem chega consiga garantir o próprio sustento.

“A gente tem mulheres que eram costureiras, nos seus países de origem, e que não têm como trabalhar com isso porque vieram cá sem nada”, diz Aline, que pede àqueles que queiram ajudar, que façam doação de máquinas de costuras, por exemplo, e outros equipamentos que auxiliem no trabalho dos refugiados.

O trabalho é muito importante na vida da pessoa. Se as pessoas ajudam e oferecem trabalho para os refugiados, esses refugiados podem fazer tudo sozinhos”, afirma Mirreille Muluila, natural da República Democrática do Congo, que viu seu vilarejo ser arrasado por rebeldes. Ela vive há um ano no Brasil, e, desde então, não tem notícias dos pais e de quatro irmãos. “É muito difícil, porque você precisa da família, precisa de muitas coisas. Esse sentimento não tem como falar. É difícil.”

“É hora de a gente começar a pensar, então, como a gente vai garantir efetivamente que essas pessoas acessem políticas públicas, acessem trabalho, casa e educação, para que eles possam ter condições de recomeçar a vida no Brasil com dignidade”, diz Aline.

A professora Maria Lúcia faz questão de ajudar e lembra: “Todos nós poderíamos estar nessa situação. Nós somos muito privilegiados de viver num país, que todos reclamam tanto, mas que não tem guerra. Nós vivemos em um lugar muito bom. Temos que ser gratos e dar a nossa parte”.

Covardia e intolerância

No Norte do Paraná, um senegalês viveu uma situação que causa revolta: enquanto trabalhava, o rapaz foi ofendido por uma moradora de um prédio, que atirou bananas e o chamou de macaco e preto ladrão.

Foi, então, que uma verdadeira cidadã tomou uma atitude exemplar. Ela viu o que se passou, abordou o rapaz e pediu desculpas em nome dos brasileiros. A reação foi gravada e divulgada nas redes sociais. “Ela não representa o Brasil”, disse a senhora. Confira:

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