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a luta é pra valer

Após marcha com 10 mil, sem-teto conseguem compromissos do governo Alckmin

Movimento mobilizou famílias para pressionar três órgãos do governo estadual a apresentarem respostas às demandas de sete ocupações
por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 16/07/2015 19h47, última modificação 17/07/2015 10h43
Movimento mobilizou famílias para pressionar três órgãos do governo estadual a apresentarem respostas às demandas de sete ocupações
mtst/facebook
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Moradores de ocupações da zona sul marcharam aproximadamente quatro quilômetros até o Palácio dos Bandeirantes

São Paulo – Após mobilizar 10 mil pessoas na tarde de hoje (16), o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) conseguiu o comprometimento do governo de Geraldo Alckmin (PSDB) com atendimento de todas demandas apresentadas pelos sem-teto, conforme relatou o coordenador do MTST Josué Rocha. “Teremos respostas até a primeira quinzena de agosto. Tanto para os locais que aguardam laudo ambiental da Cetesb sobre construção de moradia, quanto sobre a destinação de outros locais às famílias de ocupações cujo terreno não pode receber empreendimentos”, explicou.

As ocupações Dandara, Vila Nova Palestina, Paulo Freire e Maria Bonita estão em áreas de manancial. Para que a construção de unidades habitacionais seja liberada é preciso manter pelo menos dois terços da área verde preservada. Além de contar com a autorização e a aprovação dos projetos urbanísticos pela Cetesb.

“Esses laudos já estão em processo, mas estavam praticamente parados. Agora, temos o compromisso da companhia de apresentar os laudos na segunda quinzena de agosto”, afirmou Rocha. Os coordenadores do movimento foram recebidos por representantes da Casa Civil do governo paulista, da Cetesb, da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), e da Dersa.

Com a CDHU, o pleito do MTST era que a companhia provesse novos terrenos para abrigar as famílias das ocupações Vila Silvia, na zona leste da capital paulista, e Vila Esperança, na zona sul. As áreas pertencem à estatal, mas não têm condições de receber moradias, segundo o MTST. E estão com pedidos de reintegração de posse impetrados na Justiça paulista. “Queremos que os terrenos indicados sejam destinados para construção de moradias às famílias”, disse Rocha.

As famílias da ocupação Oziel Alves, em Mauá, ganharam mais algum tempo para permanecer no local. O terreno é de propriedade da Dersa e está ocupado desde maio. Os sem-teto pedem que a reintegração de posse, já autorizada pela Justiça, só seja realizada depois que as negociações sobre a área estiverem concluídas. “A empresa se dispôs a negociar o terreno e assumiu o compromisso de não realizar o despejo por enquanto”, relatou Rocha.

Por fim, o governo paulista teria garantido ao movimento que não haverá cortes no subsídio do Programa Casa Paulista. O programa do governo paulista auxilia famílias de baixa renda que ingressam no Programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal, com R$ 20 mil por unidade habitacional. A RBA não conseguiu contatar a assessoria de imprensa do governo Alckmin para confirmar as informações.

Os cerca de dez mil manifestantes marcharam por aproximadamente quatro quilômetros, da estação Morumbi, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual.

Durante a marcha, o coordenador do MTST, Guilherme Boulos, disse que ontem teve reunião com o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, na qual só foram reafirmadas as promessas de que o “Minha Casa, Minha Vida 3” será lançado em agosto. Boulos afirmou, porém, que Kassab não apresentou nenhum documento atestando o compromisso, o que causou insatisfação dos sem-teto.

O ativista garantiu que continuará a mobilização e que serão realizadas novas ocupações para pressionar o lançamento da terceira fase do programa habitacional do governo federal, com ocupações e grandes atos. Desde abril, o MTST realizou quatro ocupações com essa finalidade.

Ouça a entrevista do coordenador Josué Rocha à Rádio Brasil Atual: