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Sottili lamenta falta de repercussão de agenda positiva na mídia

'Está havendo um respiro, uma reação democrática dos movimentos que querem ampliar os direitos', afirma secretário-adjunto da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania da prefeitura de São Paulo
por Redação RBA publicado 01/07/2015 16h19, última modificação 01/07/2015 16h31
'Está havendo um respiro, uma reação democrática dos movimentos que querem ampliar os direitos', afirma secretário-adjunto da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania da prefeitura de São Paulo
Fernando Frazão/Abr
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Rogério Sottili: "O que temos de fazer é ampliar o debate para informar e ganhar a população"

São Paulo – A recente decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todo o país representa que a causa LGBT é global e ocorreu em um momento importante para o Brasil, segundo destaca o secretário-adjunto da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania da prefeitura de São Paulo, Rogério Sottili, em entrevista hoje (1º) para a Rádio Brasil Atual.

“A repercussão vem para o Brasil em um momento em que o Congresso brasileiro coloca em pauta uma agenda extremamente conservadora, propondo a diminuição de direitos já conquistados”, analisa Sottili. Apesar de o casamento entre pessoas do mesmo sexo ser permitido desde aprovação do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2011, parlamentares contrários à causa apresentam frequentemente pautas para reprimir a comunidade LGBT.

O panorama da cidade de São Paulo apresenta questões mais progressistas, como argumenta o secretário-adjunto, que se diz otimista. “Sinto que está havendo um respiro. A cidade está muito conectada com a tendência de uma agenda positiva. Ciclovia na Avenida Paulista, população ocupando as ruas para exercer seu direito de cidadania, muita coisa interessante está acontecendo. É uma pena que a mídia não repercuta isso.”

Sottili se diz cético quanto à possibilidade de mudança de atitude dos parlamentares. “Eu não me iludo”, diz. “Infelizmente, temos movimentos conservadores que se acomodam nas mais diversas organizações religiosas e partidárias. O que temos que fazer é ampliar o debate para informar e ganhar a população.”

'Cura gay'

Parlamentares neopentecostais brasileiros adotaram recentemente a questão da “cura gay”, que trata a homoafetividade como doença. O tema também é presente nos Estados Unidos e a decisão da Suprema Corte representa um “alento para todos os democratas”, como comenta o presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (PT).

Atualmente, oito estados norte-americanos possuem em suas legislações, autorização para clínicas realizarem “terapias” para “tratar” gays. Tais procedimentos são proibidos para mais de 40 estados norte-americanos. “Nos Estados Unidos, isso foi denunciado pelo próprio presidente Obama. Começaram a surgir clínicas de internação compulsória, onde pais internam crianças, pois mostraram orientação sexual distinta daquilo que os pais gostariam. Isso, feito de maneira violenta”, argumenta Pimenta.

O parlamentar acrescenta que apesar de segmentos da sociedade brasileira e do parlamento tentarem enfatizar a discussão da "cura gay" ao país, isso não reflete o pensamento da maioria. “Tenho convicção de que a sociedade não pensa desta maneira. A representação desta classe em certas comissões da casa são desproporcionais ao peso efetivo na própria sociedade.”

Ouça a reportagem da Rádio Brasil Atual.