Ministra considera Pronatec importante para reverter desemprego

Tereza Campello, do MDS, afirma que população de baixa renda “dá valor aos cursos e tem garra para chegar até o final”

Ubirajara Machado/MDS
Tereza Campello

Como previa a ministra Tereza Campello, a imprensa não se interessou pelo assunto por “não estar na pauta”

Brasília – A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, apresentou ontem resultados do Caderno de Estudos Inclusão Produtiva Urbana: o que fez o Pronatec/Bolsa Formação entre 2011 e 2014. O estudo mostra que mais que dobrou a quantidade de beneficiários do Bolsa Família que conseguiram um emprego formal depois de terminar um curso do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

A ministra destacou o potencial do Pronatec para reverter os números de desemprego no país. Para ela, o programa, junto com outras iniciativas, pode alavancar um crescimento na economia e no emprego. “Precisamos aumentar nossa produtividade. O Pronatec é uma das estratégias, junto com a educação de nível superior e o esforço para aumentar a escolaridade dos nossos jovens. Certamente vai melhorar a situação econômica do país”, disse Tereza.

Segundo o MDS, a porcentagem do público do Bolsa Família que fez o Pronatec e concluiu está acima da média histórica. “E jovens e adultos que têm feito o curso têm conseguido concluir, se formar e ser certificado acima da média nacional. Isso é uma vitória”, disse a ministra, mencionando a presença de cursos do Pronatec Bolsa Formação em 4.025 municípios brasileiros, e do Pronatec Brasil Sem Miséria em 3.301 municípios.

O ministro da Educação, Renato Janine, observou que a inclusão social alcançada nos últimos 12 anos de inclusão social “não são contestadas” por um ano de crise mas ressaltou que o Brasil ainda está em dívida: “Florescer pessoas que não tiveram oportunidade no seu momento e têm que ser consideradas.

‘Devolvi porque minha renda deu uma melhorada’
Bolsa Família
Em Santa Rita do Araguaia (GO), a dona de casa Mabiane Alves Pereira, de 32 anos, surpreendeu a gestão do Bolsa Família ao fazer a devolução do benefício de julho. O marido, Gelson de Oliveira Gomes, foi contratado recentemente como operador de caldeira júnior, com carteira assinada. Ela recebia R$ 182 por mês. “Devolvi porque minha renda deu uma melhorada. Se eu precisar de novo, acredito que as portas estarão abertas.”

No site GGN, o jornalista Luis Nassif chamou a atenção para o negativismo da cobertura mídia “que acaba engolfando todo o país, criando a falsa percepção de que em se plantando, nada se dá”. Leia abaixo.

O sucesso do Bolsa Família e do Pronatec

Provavelmente se sonegará do seu leitor a divulgação do trabalho do MDS (Ministério do Desenvolvimento Social), analisando os efeitos do Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) sobre o Bolsa Família.

O trabalho cruzou os 80 milhões de dados do Cadastro Único, os 50 milhões do Bolsa Família, os 60 milhões do RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), para acompanhar o desempenho geral do Pronatec e, em especial, dos alunos egressos de programas sociais.

A pesquisa desmente alguns mitos que acompanham tanto o BF quanto o Pronatec.

Mito 1 – Não haveria demanda de público pobre, por falta de vontade de melhorar de vida.

A pesquisa mostra que na formação inicial continuada, 33% dos alunos são do BF puro; 30% do cadastro único (atendidos por outros programas sociais), sem ser BF; e 37% são de não cadastro único.

Conseguiu-se esse feito organizando a oferta e a demanda.

O Pronatec estendeu seus cursos não apenas para setores técnicos, mas para o atendente, o garçon, o instalador de ar condicionado, o encanador, o azulejista, o gesseiro, o pintor, o conjunto de mão de obra que interfere também na produtividade da economia.

Com esse enfoque, saltou de 606 municípios em 2012 para 4.025 em 2014, fundamentalmente atendidos pelo Sistema S e institutos federais. As instituições privadas não chegam a 1% dos cursos.

Mito 2 – o de que aluno não valoriza cursos de graça e pobres não chegariam até o final do curso.

Os egressos do BF obtiveram taxa de conclusão de curso melhor que a média: 81,4% contra 79% da média geral, mesma média dos cursos pagos do Senai.

As taxas de aprovação também foram similares: 88,3% do BF contar 87,1% da média.

Mito 3 – o de que os cursos do Pronatec não tinham aderência com o que o mercado necessitava.

Montou-se um grupo de estudo com técnicos do MEC (Ministério da Educação), MDIC  (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), batendo município por município as vagas ofertadas e as ofertas de curso. Entre 70 e 80% dos municípios havia grande aderência entre cursos e demanda.

Ao iniciar o curso, havia 361 mil pessoas empregadas; no final estavam em 627 mil. No caso do BF, 55 mil iniciaram o curso já empregados; formados, os empregados haviam saltado para 120 mil.

Mesmo promissores, os resultados são subavaliados em pelo menos três pontos:

1. Não captou o mercado informal.

Um eletricista formado pode trabalhar em uma empresa ou por conta própria. A pesquisa só levantou os números do mercado formal.

2. Não captou os que abandonaram prematuramente o curso por conseguirem emprego no meio do caminho.

Isso ocorreu na construção civil, em um momento de falta de mão de obra.

3. OS dados da RAIS são de dois anos atrás, portanto não captaram o que ocorreu no ano passado.

Agora, em parceria com o MDIC, o MDS está analisando os grandes investimentos em curso para começar a ofertar antecipadamente os cursos para vagas.

PS: Como previsto pela Ministra Tereza Campello, do MDS, nenhum veículo de mídia interessou-se pelo tema. Na véspera do anúncio do lançamento do trabalho, vários jornalistas foram procurados, mas disseram que a pauta não se encaixava na cobertura.

Com informações de Agência Brasil e MDS