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Visita ao Senegal

Merendeiras e educadoras pregam combate ao desperdício após viagem

Vencedoras do Prêmio Educação Além do Prato, promovido pelo Departamento de Alimentação Escolar da prefeitura de São Paulo, trouxeram experiências do país africano ao Brasil
por Redação RBA publicado 08/07/2015 11h20
Vencedoras do Prêmio Educação Além do Prato, promovido pelo Departamento de Alimentação Escolar da prefeitura de São Paulo, trouxeram experiências do país africano ao Brasil
Fernando Pereira/Secom
Prêmio Educação Além do Prato

Viagem à África foi presenteada às duplas que conquistaram a primeira colocação do Prêmio Educação Além do Prato

São Paulo – Educadoras e merendeiras vencedoras do Prêmio Educação Além do Prato, promovido pelo Departamento de Alimentação Escolar, da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, pregam o combate ao desperdício após viagem ao Senegal. O país é associado ao Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas, que possui o Centro de Excelência contra a Fome, fórum que busca estruturar políticas de segurança alimentar por meio de programas de alimentação escolar em países assolados pela fome.

A viagem à África foi presenteada às duplas que conquistaram a primeira colocação nas categorias preparação culinária quente e preparação culinária fria. As receitas vencedoras passaram a fazer parte do cardápio da merenda das escolas da rede municipal de ensino. As premiadas também participaram do Seminário de Alimentação Escolar para os Países da África Ocidental. Crianças, mães e merendeiras de uma escola africana emocionaram as premiadas com a calorosa recepção.

A professora Sônia Maria Maruzo Ribeiro, da Escola Municipal de Educação Infantil Recanto Campo Belo, da região de Parelheiros, zona sul da capital paulista, diz que volta da viagem transformada, e preocupada com o desperdício da comida nas escolas. “Eu fiz uma roda de conversa com os alunos da minha escola. Durante uma semana fiquei acompanhando. Tenho 35 alunos. Nos dois primeiros dias, três crianças jogaram fora a comida que sobrou. Eu continuei conversando, mostrando fotos, depois duas crianças jogaram fora. Quando chegou na sexta feira, só uma jogou.”

“Algumas crianças comentavam que na África não tem comida, e houve esse movimento entre as próprias crianças. Acho que deve ser elaborado um trabalho pedagógico para revermos essa questão do desperdício. Olhar como é o desperdício no Brasil, depois de ver a situação de Senegal, é uma afronta”, compara.

Para a merendeira Maria Aparecida Gomes Martin, que fez dupla com Sônia, a experiência na Ilha de Gorée ajudou a fortalecer as raízes. “Foi uma combinação de coisas. Eu me arrepiava toda hora, pois um antepassado nosso esteve naquele local. Ainda tenho sonhos com aquela ilha, então alguma coisa mexeu muito com meu emocional.”

Vivian Brandão Poli, coordenadora pedagógica do Centro de Educação Infantil Penha Bom Jesus, se animou com as crianças, mas se assustou com os preços dos alimentos no Senegal, e por isso lamenta que a escola que visitou não tenha uma horta. “Eles tinham um espaço muito grande em uma escola, e conversando com eles demos a ideia de montar uma horta, locais para as crianças brincarem.”

Parceira de Vivian no projeto, a merendeira Claudia de Jesus Silva diz que jamais esquecerá da atitude de um dos alunos da escola que visitou. “A criança saiu da sala de aula, veio com o pedaço de cereal, dividiu ao meio, deu para a irmã e voltou à sala. Antes de chegarmos lá foi dito para não se emocionar, só que aquela cena me deixou tocada.”

Ouça a reportagem Marilu Cabañas na Rádio Brasil Atual.

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