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Moradores da Vila Autódromo resistem ao cerco de Eduardo Paes

Vigília, caminhada e ato ecumênico marcam ações de comunidade da zona sul do Rio, em defesa do direito à moradia e contra a política de remoções do prefeito da cidade
por Redação RBA publicado 15/06/2015 14h35
Vigília, caminhada e ato ecumênico marcam ações de comunidade da zona sul do Rio, em defesa do direito à moradia e contra a política de remoções do prefeito da cidade
Divulgação Vila Autódromo - Facebook
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Ato ecumênico ontem (14), em Copacabana: defesa por uma cidade democrática no centro da luta contra as remoções

São Paulo – Moradores da Vila Autódromo, na Barra da Tijuca, zona sul do Rio de Janeiro, realizaram ontem (14) caminhada e ato ecumênico na praia de Copacabana para protestar contra as ameaças de remoções que a comunidade vem sofrendo do prefeito Eduardo Paes (PMDB).

A prefeitura quer integrar a área da comunidade ao projeto de construção da Vila Olímpica para os jogos do próximo ano, mas uma parcela dos moradores resiste pelo fato de viver no bairro legalmente, com seu direito consolidado há pelo menos 40 anos. O bairro é considerado pela lei como Área de Especial Interesse Social (Aies) e mantém título de concessão real de uso, emitido pelo estado há cerca de 20 anos.

Dos 600 moradores da comunidade, 90% aceitaram a compensação financeira oferecida pela prefeitura e deixaram suas casas. No último dia 3, no entanto, o embate ultrapassou pela primeira vez o limite da negociação e o prefeito apelou para o uso da força. Um grupo da Guarda Municipal, Polícia Militar, Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) e Justiça tentou entrar na comunidade com um trator para derrubar os imóveis.

O confronto marcado por golpes de cassetete, balas de borracha e gás lacrimogêneo deixou seis moradores e quatro guardas feridos. O caso repercutiu no exterior, com reportagem no jornal inglês The Guardian. Por volta das 16h daquele dia, a ação de força foi suspensa pela Justiça, que concedeu liminar contra o direito de desapropriação da prefeitura. A situação, no entanto, permanece tensa e o movimento de resistência tem realizado vigílias noturnas desde o dia 8 para evitar que os moradores sejam surpreendidos.

Cidade sem pobres

Ao participar do Seminário Cidades Rebeldes, em São Paulo, na quinta-feira (11), o pesquisador e urbanista Carlos Vainer, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippur), na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmou que o que está em jogo na Vila Autódromo e em outras comunidades ameaçadas de remoção no Rio de Janeiro é o interesse em conceder essas áreas para a especulação imobiliária. Segundo Vainer, a prefeitura quer realizar “quase 200 mil remoções (na cidade) para levar a pobreza a locais distantes e realizar a utopia da cidade sem pobres”.

Vainer disse que a ideia da prefeitura é integrar a Vila Autódromo ao projeto do parque Olímpico, que ocupa uma área de mais de um milhão de metros quadrados. “O terreno será concedido para a Odebrecht, Andrade Gutierrez e Carvalho Hoskem. Depois do evento, o Parque Olímpico vai virar um condomínio fechado em terreno público”, destacou.

Queremos que suspendam as remoções na Vila Autódromo. Há grupos privados que não dão retorno para a sociedade brasileira, somos contra a entrega de espaços urbanos para empresas. As desigualdades urbanas estão anulando os ganhos da sociedade com a expansão do consumo. Eu não posso comprar serviço de esgoto, precisamos discutir outro modelo de cidade”, afirmou Vainer.

Além de resistirem, os moradores defendem a adoção de um plano de urbanização da Vila Autódromo que permita integrar a comunidade ao espaço do Parque Olímpico, respeitando o caráter social da área e o título de concessão estadual. O plano foi desenvolvido com assessoria do Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos (Nephu), da Universidade Federal Fluminense (UFF), e é apoiado também pelos pesquisadores da UFRJ.

No contexto de todas as remoções pretendidas pelo prefeito Eduardo Paes está em jogo o direito a uma cidade democrática, argumentam os movimentos contra a política que privilegia a especulação imobiliária. A resistência das várias comunidades da capital carioca contra as remoções vem sendo articulada pela organização Encontro das Comunidades Oprimidas pelas Olimpíadas e Urbanizações (Ecoou). O portal popular contra as remoções no Rio relaciona mais de 20 comunidades da cidade que enfrentam a pressão por remoções.

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