Você está aqui: Página Inicial / Cidadania / 2015 / 04 / Morre única sobrevivente da Casa da Morte de Petrópolis

rio de janeiro

Morre única sobrevivente da Casa da Morte de Petrópolis

Inês Etienne Romeu morreu hoje (27) aos 72 anos. Ela passou cerca de três meses no local em 1971, onde foi torturada, violentada e presenciou vítimas da ditadura civil-militar serem assassinadas
por Flávia Villela, da Agência Brasil publicado 27/04/2015 19h26, última modificação 27/04/2015 19h38
Inês Etienne Romeu morreu hoje (27) aos 72 anos. Ela passou cerca de três meses no local em 1971, onde foi torturada, violentada e presenciou vítimas da ditadura civil-militar serem assassinadas
ascom/cnv
etienne.jpg

Inês Etienne (esq.) acompanha o depoimento de sua irmã, Celina, à CNV

A única sobrevivente do centro clandestino de tortura Casa da Morte, de Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, Inês Etienne Romeu, morreu hoje (27) aos 72 anos de idade. Inês passou cerca 96 dias na casa, onde foi barbaramente torturada, violentada e presenciou vítimas da ditadura civil-militar serem torturadas e mortas.

Inês nasceu em Pouso Alegre (MG), mas se mudou para São Paulo ainda na juventude, quando entrou para a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Foi presa e sequestrada em maio de 1971, em São Paulo. Graças à luta da família e dos advogados, Inês foi entregue à Justiça e condenada à prisão perpétua, que a livrou da prisão clandestina. Ela foi também a última presa política da ditadura libertada no Brasil, oito anos depois, em 1979, pela Lei da Anistia. Em 2009, recebeu o Prêmio Direitos Humanos, na categoria Direito à Memória e à Verdade, entregue pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Inês ajudou as comissões da Verdade na busca do paradeiro de presos políticos desaparecidos e na identificação de torturadores. Em seu depoimento, ela relatou ter sido obrigada a cozinhar nua, na frente dos carcereiros, e ter sido estuprada duas vezes por um deles. Inês Etienne identificou nove militantes de esquerda assassinados, segundo ela, na Casa da Morte.

Em 2003, aos 61 anos, Inês foi atacada por um marceneiro contratado para um serviço doméstico, com vários golpes na cabeça, o que a deixou com limitações neurológicas. O marceneiro nunca foi identificado. Atualmente, ela morava em Niterói, região metropolitana do Rio.