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Ditadura

Peritos do caso das ossadas de Perus terão atendimento psicológico

'O que estes jovens estão fazendo é pioneiro no Brasil. Eles leem os ossos. A ideia é que eles possam compartilhar seus desejos e angústias', diz Cristina Ocariz, representante do Instituto Sedes Sapientiae
por Redação RBA publicado 28/03/2015 16h40, última modificação 31/03/2015 17h16
'O que estes jovens estão fazendo é pioneiro no Brasil. Eles leem os ossos. A ideia é que eles possam compartilhar seus desejos e angústias', diz Cristina Ocariz, representante do Instituto Sedes Sapientiae
danilo ramos/arquivo rba
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Análise das ossadas envolve vários especialistas, entre eles antropólogos e arqueólogos

São Paulo – Os peritos que atuam na análise das ossadas de Perus, do Centro de Arqueologia e Antropologia Forense, poderão ter atendimento psicológico, dentro do programa Clínicas do Testemunho. A medida foi acertada ontem (27), entre a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O protocolo assinado pelas entidades estabelece que o atendimento pode ser estendido a familiares de pessoas enterradas ilegalmente no Cemitério Dom Bosco, em Perus, na região noroeste da capital paulista.

A vala clandestina no cemitério foi descoberta em 1990. Eram 1.049 ossadas, de indigentes, vítimas da ditadura, esquadrões da morte e mortos por meningite, cuja epidemia não pôde ser noticiada pela imprensa, devido à censura imposta pelo regime. Depois de anos guardadas em condições inadequadas, as ossadas foram levadas para o Centro de Arqueologia e as análises começaram a ser feitas em setembro de 2014, depois de parceria entre a prefeitura de São Paulo, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e a Unifesp.

"O que estes jovens estão fazendo é pioneiro no Brasil. Eles leem os ossos. A ideia é que eles possam compartilhar seus desejos e angústias", diz Cristina Ocariz, representante do Instituto Sedes Sapientiae e profissional das Clínicas do Testemunha. "Para que o importante trabalho destes jovens peritos possa continuar da melhor forma possível, eles precisam desse amparo psicológico. É um trabalho muito ousado, mas também muito duro", afirma o secretário-adjunto de Direitos Humanos e Cidadania do município de São Paulo, Rogério Sottili.

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