reforma agrária

Governo planeja assentar 120 mil famílias em quatro anos

'Vamos levantar as terras públicas disponíveis, mas também vamos trabalhar com as terras privadas que possam ser, nos termos da lei, desapropriadas ou compradas', disse ministro Patrus Ananias

André Tambucci/Fotos Públicas
ato na paulista

Integrantes de movimentos sociais do campo realizam manifestação na Paulista pela reforma agrária

Brasília – O governo federal planeja assentar cerca de 120 mil famílias nos próximos quatro anos, disse hoje (12) o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias. “Não podemos aceitar que as pessoas fiquem morando debaixo de lona. A nossa prioridade é assentar as famílias acampadas. Já temos o levantamento de 60 mil famílias que foram cadastradas pelo Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome e vamos agora cadastrar aproximadamente outras 60 mil famílias”, disse o ministro, na primeira reunião do ano do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável.

Segundo o ministro, a meta é assentar as famílias nos próximos quatro anos. “Vamos levantar as terras públicas disponíveis, mas também vamos trabalhar com as terras privadas que possam ser, nos termos da lei, desapropriadas ou compradas”, acrescentou. Ontem, diversos movimentos sociais do campo participaram de audiência com o ministro. Uma das principais pautas de reivindicação foi a construção de um plano de metas da reforma agrária, bem como a implementação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Reforma Agrária para avançar a pauta no país.

De acordo com o ministério, no ano passado, 22,3 mil famílias foram beneficiadas com a reforma agrária, e, desde 2011, foram assentadas aproximadamente 101 mil famílias.

O ministro informou que outro desafio do ministério é melhorar a infraestrutura dos assentamentos, dotando-os de condições para a melhoria de vida dos assentados. “A prioridade também é transformar os assentamentos em espaços autossuficientes, com efetiva produção agrícola, e com acesso à educação, cultura, inclusão digital, atividades esportivas, água, saneamento e estradas.”

Representantes do governo e de entidades ligadas à agricultura debatem hoje e amanhã (13) a implementação do Plano Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário, voltado para a agricultura familiar e a agroecologia. O público-alvo do plano são agricultores familiares, assentados da reforma agrária, extrativistas, povos indígenas e quilombolas, mulheres e jovens do campo.

Protesto na Paulista

Movimentos de trabalhadores rurais protestaram hoje em frente ao escritório da Presidência da República em São Paulo, na Avenida Paulista. A manifestação foi organizada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Eles saíram em caminhada do vão-livre do Museu de Arte de São Paulo, por volta das 14h30, e uma comissão foi recebida por representantes do governo federal. Uma faixa da Avenida Paulista, no sentido Paraíso, foi interditada.

“Precisamos de políticas estatais que apoiem o trabalhador rural, desde melhor assistência técnica, condições de crédito, além de regularização e distribuição de terras, ou seja, reforma agrária”, destacou Ubiratã Dias, da direção estadual do MAB.

Antes de serem recebidos, os movimentos tiveram que negociar a entrada no prédio. “Tínhamos uma agenda aqui na Presidência, mas pedimos que fossem recebidos representantes de todos os movimentos que estão aqui e de todas as regiões”, explicou Dias. A assessoria de imprensa do governo não informou quem se reuniu com os manifestantes.