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Haddad vai leiloar terreno para estimular criação de empregos na zona leste

Área de 632 mil m² pertencente à Cohab será vendida com determinações para utilização que devem levar comércios e serviços para os 240 mil habitantes de Cidade Tiradentes

Fernando Zamora/Futura Press/Folhapress
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Com a iniciativa, Haddad quer equilibrar melhor oferta de empregos e serviços no extremo leste da capital paulista

São Paulo – O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), anunciou hoje (23) o leilão de uma área de 632 mil metros quadrados – quase metade do tamanho do Parque do Ibirapuera – da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab), em Cidade Tiradentes, zona leste, com o objetivo de que seja construído um shopping ou outro empreendimento que leve comércios e serviços para beneficiar os 240 mil habitantes do distrito e dos arredores. A expectativa é de que sejam criados até 4 mil empregos diretos.

“O futuro da Cidade Tiradentes vai mudar para muito melhor”, afirmou o prefeito. O distrito é quase estritamente residencial. Há somente 4.540 postos de trabalho, o menor número em todas as 32 subprefeituras da capital. O equivalente a 0,11% do total de empregos do município. O objetivo do projeto é, segundo Haddad, equilibrar a oferta de emprego com a de moradia, o que deve ter impacto na qualidade de vida da população e na demanda por transporte.

“Passado o processo do Plano Diretor Estratégico – que regula o desenvolvimento da cidade, sancionado em 2013 –, nossa preocupação é com a utilização das grandes glebas da cidade. Esse processo se insere na proposta do plano de aproximar emprego e moradia”, explicou Haddad.

Embora a prefeitura não pretenda determinar exatamente o que vai ser implementado no local, está certo que deverá compreender a oferta de comércio e serviços, como bancos, correio e lojas de departamento. E que novas moradias não serão aceitas.

Desde a década de 1970, a Cohab produziu 40 mil moradias na região, destinada em sua maioria para população de baixa renda. Foram para lá, por exemplo, cerca de 10 mil pessoas removidas do complexo de favelas da Água Espraiada, quando o ex-prefeito e atual deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) construiu a avenida de mesmo nome, hoje chamada Jornalista Roberto Marinho. Mas a oferta de serviços, comércio e empregos não acompanhou esta ocupação habitacional.

“Dificilmente vai se achar um lugar tão mal planejado com a Cidade Tiradentes. Nós estamos buscando corrigir isso”, afirmou Haddad. O prefeito garantiu que todo o processo para instalação de energia elétrica, viário, rede de água e esgoto vão seguir o processo normal da Lei de Uso e Ocupação do Solo.

Não haverá incentivos fiscais, como os que foram implementados na região de Itaquera, nem a liberação de construção até quatro vezes o tamanho do terreno sem custo adicional, como foi feito na região da avenida Jacú-Pêssego, ambos na zona leste. Para o prefeito, o conjunto de ações proposto para melhorias de oferta de emprego da zona leste está resolvido.

O projeto é inédito na história da Cohab e foi desenvolvido após a manifestação de interessados na área. Haddad acredita que isso, mais o potencial de consumidores e de mão de obra, indica uma grande chance de o negócio ser bem-sucedido.

O edital de alienação será publicado no Diário Oficial da Cidade e colocado em consulta pública por 30 dias, a partir de amanhã (24). Depois disso, o edital será revisado e serão mais 30 dias entre a apresentação de propostas e a oficialização do comprador. O valor de referência está estimado em R$ 73 milhões e poderá ser adquirido por um indivíduo ou grupo de empreendedores.

O terreno fica em um local chamado Santa Etelvina III-B e, anteriormente, seria destinado para a construção de moradias. No mesmo local já existe um Centro Educacional Unificado (CEU) e deve receber ainda a estação final do Monotrilho da Linha 15 – Prata do Metrô paulista (Vila Prudente-Cidade Tiradentes) e a sede da subprefeitura local, que hoje fica fora do bairro. Ainda assim, um terço da área que ainda possui mata remanescente deve ser preservado.

Minha Casa, Minha Vida

O prefeito disse ainda que está dialogando com o governo federal sobre a terceira versão do programa Minha Casa, Minha Vida. Uma das propostas da prefeitura é que o programa passe a realizar o financiamento de pequenos comércios, a fim de evitar que os bairros concentrem somente residências. A prefeitura também pleiteia o aumento do teto de subsídio do governo federal, sobretudo para financiamento na região central da cidade, onde o valor dos terrenos é mais elevado, e a colocação de elevadores nos empreendimentos.

A gestão Haddad também propôs a criação de um novo modal de construção, com propriedade condominial. Desse modo os moradores não seriam ser donos, mas o valor do aluguel poderia ser controlado. Ou a aquisição de unidades seria condicionada a um valor de renda específico, evitando que pessoas com maior poder aquisitivo comprem propriedades e acabem excluindo os moradores de baixa renda.

As propostas estão sendo avaliadas e as regras do novo edital do Minha Casa Minha Vida (versão 3) deve ser divulgado em março. A meta do governo federal é construir 3 milhões de unidades a partir deste ano.