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Falta d’água: 61% culpam Sabesp, e para 42% responsabilidade direta é do governo Alckmin

Conforme pesquisa da Rede Nossa São Paulo, 82% acreditam em grande o risco de a água acabar. Responsabilização tardia sobre governo e a empresa comprova que a seca é também de informação
Publicado por Redação RBA
19:44
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Milton Michida/Governo do Estado de SP
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Apenas 42% dos paulistanos atribuem ao governo responsabilidade pela falta de providências contra o esvaziamento dos reservatórios

São Paulo – A crise no abastecimento de água em São Paulo, a maior da história, já arranha a confiança da população paulistana na Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, a Sabesp. Porém, a maioria não acredita que o governo estadual paulista, ao qual a companhia está vinculada, tenha responsabilidade sobre o esvaziamento dos reservatórios, as torneiras secas e a queda de produção das usinas hidrelétricas, que coloca em risco a oferta de energia.

De acordo com a pesquisa Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município (Irbem), realizada pelo sexto ano consecutivo pela Rede Nossa São Paulo, 61% dos paulistanos ouvidos avaliam que a Sabesp é a principal responsável pelo abastecimento de água. A confiança na companhia caiu em comparação ao ano anterior: de cada 100 paulistanos, 82 confiavam na empresa em 2013; em 2014, eram 62.

No entanto, um percentual menor (42%) atribui a crise à falta de planejamento do governo estadual. Para 29%, o problema decorre da falta de chuvas e, para 3%, ao desmatamento da Amazônia. Um dado interessante é que 66% dos entrevistados se consideram bem informados quanto à crise hídrica.

A pesquisa reflete um certo pessimismo: para 82%, o risco de a água acabar é grande, sendo que 68% enfrentaram falta de água ou tiveram alguém da família nessa situação nos últimos 30 dias.

Gestão municipal

O Irbem, que avalia o nível de satisfação dos paulistanos quanto à qualidade de vida e bem-estar na cidade, aborda 25 temas, tanto os relacionados às condições objetivas de vida na cidade – nas áreas de saúde, educação, meio ambiente, habitação e trabalho – quanto os ligados a questões subjetivas, como sexualidade, espiritualidade, consumo e lazer.

De acordo com a Rede Nossa São Paulo, a maior insatisfação está diretamente relacionada com as instituições governamentais em questões como infância e adolescência, transporte e trânsito, acessibilidade para pessoas com deficiência, segurança, desigualdade social e transparência e participação política.

Alguns desses aspectos de maior insatisfação, porém, apresentaram melhora na satisfação no último ano, principalmente no que se refere ao transporte/trânsito e desigualdade social. No caso do transporte/trânsito, foram percebidas melhoras no tempo de espera pelo ônibus nos pontos e também na redução do tempo de deslocamento, além da quantidade de ciclovias.

Em comparação à pesquisa anterior, a gestão da cidade foi timidamente melhor avaliada. Passaram de 11% para 15% os que consideram ótima e boa a gestão atual, mas caíram de 49% para 45% os que a avaliam como “regular”, e aumentaram de 39% para 40% os que a consideram ruim e péssima.

Na percepção dos paulistanos, as áreas da saúde e da educação mantêm um grau de satisfação que não corresponde à importância atribuída a elas para a qualidade de vida do cidadão paulistano. A saúde permanece em patamar baixo e em queda (4,7), enquanto a educação permanece estável (4,5). Nesse último ano caiu a satisfação das pessoas com a forma com que cuidaram de sua própria saúde e alimentação.

A pesquisa foi realizada entre 24 de novembro e 8 de dezembro, com 1.512 pessoas que moram em São Paulo, com 16 anos ou mais. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Confira outros dados da pesquisa

:: O tempo de espera para consultas no sistema público de saúde passou de 60 dias, em 2013, para 56 em 2014. Para exames, de 79 para 78. E para procedimentos mais complexos, de 170 para 169. Já no sistema privado houve um aumento no tempo de espera: de 7 para 13 dias no caso de consultas;  de 7 para 19 dias para realização de exames e de 19 para 42 dias para realização de procedimentos mais complexos.

:: Em 2013, 66% dos entrevistados afirmaram ter transporte escolar público perto de casa. Em 2014, o número passou para 76%. Na área da segurança, 67% disseram ter ronda policial e 70% têm delegacia ou posto policial próximo à residência. Em meio ambiente, caiu de 78% para 63% o percentual dos que afirmam ter serviço de coleta seletiva;

:: Sessenta e oito por cento dos entrevistados afirmaram utilizar ônibus como meio de transporte diário na cidade. E o tempo de espera nos pontos caiu de 25 para 20 minutos na comparação com a pesquisa anterior;

:: A qualidade de vida em São Paulo ficou estável para 50% dos entrevistados. E melhorou (um pouco ou muito) para 37%;

:: Cinquenta e sete por cento dos entrevistados disseram que mudariam de cidade se pudessem. Não sairiam 40%;

:: Passou de 6% para 10% o percentual dos que consideram São Paulo um lugar muito seguro ou seguro para morar. E caiu de 93% para 89% o dos que a avaliam como pouco ou nada segura.