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Entrevista

‘Papa apoia a Teologia da Libertação e fala como nós’, afirma Leonardo Boff

Teólogo analisa a renúncia de Bento XVI, os novos rumos da Igreja no papado de Francisco, a influência da Teologia da Libertação na construção dos direitos humanos e o trabalho da Comissão da Verdade
Publicado por Redação RBA
15:32
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Reprodução/RBA
boff

‘A consciência brasileira vai exigir o complemento da justiça reparadora e a punição dos principais torturadores’

São Paulo – Leonardo Boff, pseudônimo de Genézio Darci Boff, é professor de teologia, filosofia, espiritualidade e ecologia. Trabalhou por mais de 20 anos como franciscano, em Petrópolis (RJ), com um pé na academia e outro nos meios pobres. Dessa combinação, nasceu a Teologia da Libertação que, junto com outros, ajudou a formular. Assessora atualmente as comunidades de base, dá cursos em universidades brasileiras e estrangeiras, e escreve com muita frequência. Já tem mais de 60 livros publicados, entre os quais A Águia e a Galinha, editado em diversos países e com mais de 1 milhão de exemplares vendidos no Brasil. No dia 13, o professor recebeu o prêmio Averróis pelo seu trabalho pioneiro e compartilhador. No dia 14, completou 76 anos de idade.

Em entrevista a Oswaldo Luiz Colibri Vitta, da Rádio Brasil Atual, o teólogo Leonardo Boff falou sobre vários temas como a Teologia da Libertação, a renúncia de Bento XVI, o novo ambiente da Igreja Católica com o Papa Francisco e o relatório da Comissão Nacional da Verdade.

Em entrevista à revista Caros Amigos, que repercutiu muito, em junho de 1997, o senhor afirmava que a Igreja mentia, era corrupta, cruel e sem piedade. O que mudou no Vaticano hoje e na Igreja Católica?

Creio que houve uma ruptura, palavra que os vaticanólogos e os Papas Bento XVI e João Paulo II nunca aceitaram. Com o Papa Francisco houve uma ruptura porque ele vive da verdade. Tudo aquilo que eu digo nesta entrevista, ele diz e repete, de uma forma mais profunda e radical, dizendo que a Igreja se transformou numa fortaleza fechada, sem janelas e sem portas, quando tem que ser como um hospital de campanha que acolhe todo mundo sem perguntar a religião. É um homem que busca a verdade e não as doutrinas, no sentido de colocar a figura de Jesus no centro e o seu seguimento, e não dogmas e doutrinas que afastam os homens. Hoje, a atmosfera mudou totalmente. Antes, a Igreja não era um lar espiritual. Era um pesadelo para os cristãos e a humanidade. Hoje, ela se transformou em um lar espiritual. O Papa é uma das grandes lideranças mundiais que chamam para a colaboração, para a paz, e se dispõem a dialogar com todas as pessoas, acolhe a todos sem perguntar a procedência, a religião, desde que sejam humanos, e como ele sempre diz, devemos tratar humanamente os humanos, e acolhê-los com carinho e fazer a revolução da ternura. Revolução da ternura significa uma relação generosa e amorosa com todos os demais. Estamos em uma nova fase da Igreja. Na minha interpretação, começa uma nova dinastia de papas do terceiro mundo. A velha Europa tem apenas 24% dos católicos. Todos os demais estão na Ásia, na América Latina e na África. A grande força é o cristianismo do terceiro mundo e, seguramente, vai ter os papas do futuro porque é um cristianismo criativo, que se encarnou nas culturas e tem algo a dizer à humanidade e à globalização.

Como o senhor explica a renúncia, inédita na história da Igreja, do papa Ratzinger,que o senhor conheceu muito bem, perseguido por ele?

É inédita porque só um papa, no século XII ou XIII, renunciou. A verdadeira causa, meio escondida da grande imprensa, é que pesava sobre o papa uma grave ameaça de morte tramada entre cardeais e a máfia, e dois cardeais foram discutir isso longe da cristandade, em Pequim, porque ele era incômodo para a cúria, para os negócios do Banco do Vaticano. Com as reformas que o governo italiano estava fazendo, de severidade, de impedir a evasão de dinheiro, o Banco Vaticano ficou como um grande centro de dinheiros mal construídos, desviados da máfia. A máfia é terrível, quando ela decide, ela mata. O papa foi informado disso e frustrou esse projeto renunciando. Dizem que era pela idade, isso ou aquilo. Não. O verdadeiro motivo era esse. Ele deixou, então, aberto o caminho para uma pessoa corajosa, que viesse de fora daquele conflito, daquela tramoia que se armara na Europa, e pudesse começar um caminho novo para a Igreja.

Com a eleição do papa Francisco, o que mudou na Igreja Católica? O senhor até escreveu um livro, Francisco de Assis, Francisco de Roma. Nova primavera da Igreja. Muitos dizem que a Igreja Católica estava precisando de novos ares, de um novo marketing. Como aconteceu a eleição do papa Francisco?

É porque ele, como cardeal, deu o exemplo de uma nova forma de exercer o poder. Não vivia no palácio, vivia em um pequeno apartamento, cozinhava para si mesmo, andava de ônibus, andava de metrô, subia sozinho as favelas. Já como estudante, fazendo a teologia do povo oprimido, que é a fórmula da teologia da libertação argentina, ele tinha feito a opção pelos pobres, mas não a opção teórica ou teológica. Mas, para viver como os pobres e com os pobres. Ocorre que essa pessoa é eleita papa e escolhe o nome de Francisco. Nenhum papa anterior poderia ter escolhido esse nome porque seria contraditório a tudo aquilo que São Francisco queria. Ele não queria palácio, não queria títulos de honra, não queria nada disso. E esse (o então cardeal Bergoglio), a primeira coisa que faz é despaganizar o papado, usar a mesma cruz de metal, usar os sapatos que sempre usou, não vive no palácio, vive na casa de hóspedes. Dispensou todo aquele aparato de segurança, se imiscuiu no meio do povo. Então, ele inaugura um novo estilo de exercício do poder, e não gosta que o chamem papa. Ele prefere ser bispo de Roma, porque Roma tem o privilégio de ter a sepultura de Pedro e Paulo. Ele coordena a Igreja na caridade, e não pelo direito canônico. Essa é a sua grande novidade.

O senhor o conhece pessoalmente?

Conheci-o como teólogo, fizemos uma palestra juntos, ele falando sobre o carisma jesuíta e eu sobre o carisma franciscano, em 1971, no Seminário Mayor, em San Miguel, um bairro de Buenos Aires, mas nunca imaginaria, primeiro, por ser jesuíta, que geralmente não viram bispos, e de repente, ele foi bispo, cardeal e papa. Eu tinha profetizado, dois meses antes no Twitter, que o futuro papa iria se chamar Francisco e viria da América Latina. Eu pensava nele ou no Maradiaga (arcebispo de Tegucigalpa, Honduras). Efetivamente ocorreu.

A Teologia da Libertação está, hoje, dentro do Vaticano?

Tem sinais que mostram que a Teologia da Libertação está no Vaticano e que o papa apoia. No dia 11 de setembro, ele quis receber o fundador dessa teologia, Gustavo Gutierrez. No dia 13 de setembro, ele queria me receber, em Roma, mas eu tinha uma palestra, abrindo um congresso com mais de 1,5 mil pessoas sobre espiritualidade, em Turim. E segundo, Arturo Paoli, que é um irmãozinho de Jesus, que trabalhou no Brasil e na Argentina, e tem 102 anos. Mandou buscá-lo lá do interior das montanhas, trouxe-o até o Vaticano e passaram uma tarde discutindo sobre o futuro da teologia, a responsabilidade com os pobres. Há todos os sinais de que a linha fundamental dele é a opção preferencial pelos pobres, essa é a marca registrada da Teologia da Libertação e ele sempre foi fiel à vertente argentina da Teologia da Libertação, que era a teologia da cultura oprimida, ou do povo oprimido. Podemos dizer que, hoje, a Teologia é apoiada pelo papa, ele assumiu essa teologia, e fala da forma que nós falamos.

A Teologia da Libertação sempre defendeu os direitos humanos. O coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Pedro Dallari, fez um comentário interessante, dizendo que as Forças Armadas deveriam ter a mesma postura do Vaticano, que reconheceu os seus erros. Como o senhor vê esse relatório da CNV?

A Teologia da Libertação criou uma vertente própria na leitura dos direitos humanos, que é, primeiro, o direito dos pobres, o direito à vida e aos meios da vida. Depois, os direitos de locomoção, de liberdade, etc. Essa vertente se espalhou pelo mundo, que foi uma contribuição que a Teologia da Libertação deu ao discurso mais geral sobre os direitos humanos. Os direitos humanos pressupõem que a sociedade e os cidadãos vivam em um respeito profundo, para com as pessoas, para com cada ser da natureza, que tem um valor em si mesmo. Nós notamos que, no Brasil, há um profundo desrespeito, com os nordestinos, os afrodescendentes, aqueles que têm outra opção sexual. Há uma sistemática violação dos direitos humanos,  não só pontualmente, aqui e acolá. Há uma estrutura de sociedade montada em cima ainda da casa grande e da senzala, de estruturas físicas que passaram a ser estruturas mentais, que descriminam e hierarquizam e que, continuamente, levam a crimes, eliminação de pessoas, a grande maioria negros, seja pelos milicianos ou pela própria polícia. A CNV fez uma grande coisa: levantar a verdade. Quem foram os promotores dessa calamidade que atingiu as famílias, os sequestros, os estupros, violência e morte, além das torturas violentas. Só que ela ficou na verdade. Devia ser Comissão da Verdade e da Justiça Reparadora. Uma justiça de transição, que pudesse apontar aqueles que violaram direitos da humanidade, que não são atingidos por nenhuma anistia no mundo. Então, ela ficou no meio caminho, com o compromisso com os militares, mas acredito que ela deva avançar ainda, e lamento que os militares não se sintam brasileiros. Eles têm a pretensão de ser os fundadores da República, os defensores da República, e não se submetem às leis republicanas. Desobedecem a seu chefe de Estado, que é a presidenta Dilma. São desobedientes, deveriam inclusive serem punidos. Mas, como são militares que tem armas na mão e são sempre temíveis, nós não podemos provocá-los, temos que manter uma certa equidistância, mas eles pesam na consciência dos brasileiros pelos crimes de estado que cometeram. É função do estado defender a pessoa, pouco importa se é criminoso, ou não. Eles não cumpriram essa missão. Estamos a meio caminho, e acredito que a consciência brasileira vai exigir o complemento da justiça reparadora e a punição dos principais torturadores e aqueles que violaram de forma sistemática a dignidade e cometeram crimes contra a humanidade.

Em 1999, o senhor lançou o livro Saber cuidar, a ética do humano, compaixão pela terra. Na abertura, o senhor fala que a sociedade contemporânea, chamada de sociedade do conhecimento e da comunicação, está criando, cada vez mais, uma incomunicação e solidão entre as pessoas. Mesmo com a internet e todos os recursos tecnológicos, as pessoas estão solitárias. Queria que o falasse dessa relação com a realidade concreta.

Esse livro é fundador, de certa maneira, porque consegui introduzir na discussão, no Brasil e também fora, do cuidado não como uma categoria qualquer, mas como paradigma novo. É uma nova relação com as pessoas, que não é de violência, mas de acolhida. Uma nova relação com a natureza, que não é de punhos cerrados dominando, mas com a mão estendida, com a carícia essencial. E ela nos atinge profundamente na nossa cultura nova, porque devemos cuidar em não perder a nossa humanidade. Os instrumentos tecnológicos, do celular à internet, não substituem nunca a presença do ser humano. As pessoas podem falar, namorar, fazer o que queiram pela internet, mas nem a internet nem nenhum outro instrumento estende um braço para nos consolar ou nos enxuga uma lágrima, porque não é humano. É um produto do ser humano, mas não substitui o ser humano. Vamos ter que incorporar esse dado novo, que abriu todas as janelas, para estarmos em contato com toda a humanidade. Participar da dor da humanidade, das alegrias, do sofrimento da natureza. São janelas que nos trazem muitas informações. Simultaneamente, é um desafio ético de sabermos aquilo que é bom, que nos provoca a nos comprometer a defender a vida, os mais vulneráveis, e não entrar no sistema consumista, antivida, que explora cada vez mais as pessoas humanas e devasta a natureza. É um enorme instrumento, mas que nós devemos tratá-lo com cuidado, saber qual é a medida justa de interferência na natureza, que está sendo devastada. A relação que me aproxima e me distancia do outro, ou me manipula. Tudo isso são questões novas que têm de ser pensadas e incorporadas, de tal maneira que nós nos sintamos livres de usar esses instrumentos. Não negá-los, porque eles pertencem a uma nova cultura, mas devemos nos acostumar a senhorear desses instrumentos, para que eles sirvam para o que é mais essencial para os seres humanos: o contato, a pele, o encontro. Porque o ser humano é insubstituível, é um projeto infinito, tem um olhar, um carinho, uma pele, um abraço. Só o ser humano pode fazer com outro ser humano, e não ser delegado a um aparelho.

Quantos livros o senhor escreveu até hoje?

Sou meio fecundo. Escrevi, já, 93 livros.

Um dos livros que escreveu, um dos mais vendidos, A Águia e a Galinha, o senhor fala que cada um hospeda dentro de si uma águia. Queria que contasse a história da águia e da galinha e quantos livros foram vendidos. Por que que esse livro, que é uma metáfora da condição humana, é um fenômeno e tão admirado?

Esse livro já ultrapassou 1 milhão de exemplares vendidos. Ele é fruto de 20 anos de pesquisa, mais ou menos. Escutei essa história como estudante, em Munique, em 1967, e disse “eis aqui uma chave para entender o ser humano”. O ser humano é um ser enraizado na terra, tem que trabalhar, tem que viver nas condições precárias que a natureza nos coloca, é uma galinha, tem que ciscar. Por outro lado, é habitado por um desejo infinito, busca as estrelas, quer voar, tem sonhos, utopias a realizar, é uma águia. Então, digo, simultaneamente, é as duas coisas. Devemos saber distinguir quando devemos ser galinhas, quando fazemos um negócio, limpar as coisas, fazer tudo direito, aí não devemos ser águias. E quando devemos ser águias, é ter um sonho grande, ser arrojado nas nossas realizações, não deixar nos domesticar pelos sistemas que querem nos reduzir a meros consumidores, e não cidadãos. Reivindicar a capacidade de inventar, de voar alto. Ele foi madurando lentamente, até chegar a esse ponto em que ganhou uma forma, que diria, redonda. Um livro que todo mundo lê, continuamente saem novas edições; me surpreendeu muito, porque eu tento usar os conhecimentos da nova cosmologia, da nova visão de mundo, da dimensão ética e da dimensão espiritual do ser humano. Mas, não a espiritualidade como um monopólio das religiões. Espiritualidade como uma dimensão profunda do humano, onde estão os grandes valores, os grandes princípios que orientam nossa vida. Tudo isso trabalhado em um linguagem mais simples possível e teve, por causa disso, uma acolhida muito grande. Um menino de escola da 8ª série  pode ler, um idoso pode ler. O senador Suplicy, quando dá aulas na FGV, obriga os estudantes a primeiro ler esse livro, porque estimula as pessoas a se engajarem, estudarem e elevarem a autoestima. Esse objetivo creio que foi atingido. Fiz uma continuidade dele que é ‘O despertar da águia, o simbólico e o diabólico na construção da realidade’, em que trabalho mais a ciência moderna, a biologia, a física quântica, a nova visão do mundo, para mostrar como as contradições (a dialética das contradições, as dimensões de luz e de sombra, que eu chamo de diabólico o que separa e simbólico o que une) sempre vêm junto e o ser humano é desafiado a criar um equilíbrio para conduzir a história e crescer na sua identidade. É um livro mais exigente, com mais ciência, mas também é bastante lido, especialmente por estudantes universitários.

O senhor já recebeu muitos prêmios, e o mais recente foi o prêmio Averróis de 2014, como pioneiro e compartilhador. Como se sente sendo homenageado por tantos segmentos da sociedade, como esse prêmio recente?

Para mim, esse prêmio é uma surpresa. Soube nos últimos dias. Uma das chaves desse prêmio é que o premiado não saiba. Há pessoas tão notáveis no Brasil, mais engajadas, que têm mais méritos políticos, intelectuais, bem mereciam. Acolhi como reconhecimento porque creio que introduzi alguns temas na reflexão brasileira, até internacional. O tema do cuidado, que entrou ecologia, na ética. O tema do ser humano como projeto infinito, não só em termos filosóficos, mas analisando a dimensão concreta do ser humano, que é habitado por um desejo que nunca se sacia e, por isso, sempre busca e só descansa quando encontra Deus. Além de outras categorias que introduzi, a transparência, objeto da minha tese em alemão. E especialmente, já nos anos 80, fui o primeiro da Teologia da Libertação a criar uma ‘ecoteologia da libertação’. Se a marca registrada da Teologia da Libertação é a opção pelos pobres, contra a pobreza, dentro desses pobres deve ser a terra o grande pobre, sendo devastada, destruída, devastando a nossa vida e civilização. Aí, então, tive que estudar as ciências que normalmente a teologia não estuda, a física moderna, a biologia, astrofísica, física quântica, e estudei profundamente. Inicialmente, quase não entendia nada. Fui criando uma visão mais coerente. Em nome disso, me deram o premio Nobel (alternativo) da Paz pelo livro inaugural disso, que se chama ‘Ecologia, grito da terra, grito dos pobres’, onde eu abordo o lado mais factual, da situação atual do mundo, a interpretação científica, ética, filosófica e espiritual. Os que analisaram isso, em Estocolmo, disseram ‘aqui temos uma súmula que deve ser divulgada’. Ele é reeditado em todas as partes do mundo porque resume um pouco a grande perspectiva que tem que ser pensada e assumida, se queremos que a terra e a vida tenham futuro, e que possamos salvar a nossa civilização.

Sobre a importância do Natal, Leonardo Boff deixa sua mensagem…

A grande mensagem do Natal é descobrir a divina criança que está dentro de nós. Nós nunca deixamos de ser crianças. A criança tem dificuldade de andar, cai, os pés doem, o outro tem que ajudá-la a levantar, e cada um precisa do outro para poder andar na vida. Jesus, Deus quis nascer criança para dizer que não precisamos temer Deus. Quem nos vai julgar não é um juiz terrível. É uma criança. Criança quer brincar, não quer saber se é afrodescendente, índio, basta que seja humano e uma criança. A mensagem básica do Natal é essa, que a gente descubra nossas raízes, os inocentes que estão dentro de nós, que foram quase que esquecidos pela luta da vida, o trabalho difícil, a alimentação da família, mas que o Natal nos faz recordar essa dimensão de inocência e ternura que nós damos, uns aos outros. Finalmente, a mensagem última do Natal é que Deus gostou tanto da humanidade que quis também ser homem, um ser humano. Todo homem guarda esse mistério dentro. Toda criança quer ser homem. Todo homem quer ser rei. Todo rei quer ser Deus. Só Deus quis ser criança.

Ouça a entrevista da Rádio Brasil Atual: