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júlio turra

Para diretor da CUT, mudanças estruturais no país requerem reforma política

Sindicalista avalia que é preciso pressão da sociedade sobre os poderes para que seja feito um plebiscito popular por uma nova Constituinte exclusiva
por Redação RBA publicado 02/07/2014 13h16
Sindicalista avalia que é preciso pressão da sociedade sobre os poderes para que seja feito um plebiscito popular por uma nova Constituinte exclusiva
arquivo/cut
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"Como você vai aprofundar a reforma agrária em um Congresso dominado por latifundiários?", questiona

São Paulo – Para o diretor executivo da CUT Júlio Turra, a reforma política é necessária para destravar um conjunto de mudanças estruturais ainda pendentes no Brasil. Integrante do Comitê do Plebiscito Constituinte, Turra avalia que as reformas agrária e tributária, a democratização dos meios de comunicação e a luta pelos direitos trabalhistas dependem de um novo sistema político.

"Da maneira como as instituições políticas funcionam, em particular o Congresso Nacional, há um bloqueio permanente a essas reformas de fundo que interessam, sobretudo, à classe trabalhadora e aos setores mais pobres da população", afirmou em entrevista hoje (2) à Rádio Brasil Atual. O sindicalista explica que a intenção do plebiscito, previsto para acontecer em setembro– uma consulta simbólica, mas com valor político por expressar opinião popular sobre o tema –, é perguntar se a sociedade é a favor que seja convocada uma constituinte livre e soberana sobre o sistema político.

"Nosso objetivo é destravar as reformas. Como é que você vai aprofundar a reforma agrária em um Congresso dominado por latifundiários?", questiona. O sindicalista considera desproporcional a divisão de votos entre os estados. "O voto do eleitor de Roraima 'vale' 10 vezes o que vale o de São Paulo. A regra elementar da democracia, um eleitor, um voto, no Brasil, no plano nacional, não existe."

Outro ponto discutido pelo comitê é a função do Senado, que exerce papel redundante em relação à Câmara dos Deputados. "Então tem uma série de aspectos que são herdados do passado e o aprofundamento da democracia no Brasil exige mudanças", reitera.

No próximo dia 7de julho, vários grupos que participam da campanha pelo plebiscito pretendem fazer pinturas em murais alusivas ao tema da Constituinte nas várias capitais brasileiras. Para o da 12 de agosto, a entidade programa um dia nacional de lutas.

O Comitê Plebiscito Constituinte pela reforma política conta com 400 escritórios espalhados pelos estados brasileiros. Foi criado em setembro passado por partidos políticos e movimentos sociais como resposta às manifestações de junho. A organização agrega 214 entidades, entre movimentos sociais, sindicatos, partidos políticos e coletivos.

A presidenta Dilma Roussef (PT), após os protestos de massa no ano passado, propôs cinco pactos com a sociedade civil brasileira, dentre eles a realização de consulta popular para a reforma da constituição brasileira. De acordo com a legislação, somente o Congresso nacional pode convocar um plebiscito. E a proposta não andou.

Ouça a entrevista.