contra a copa

Movimentos sociais ocupam sedes de três construtoras em São Paulo

Líder do MTST, Guilherme Boulos, afirma que comissão de manifestantes se reunirá com a presidenta Dilma Rousseff nesta tarde no estádio do Itaquerão, na zona leste da cidade

Beatriz Pasqualino/Radioagência Nacional
marcha

A Odebrecht foi a responsável pela construção do Itaquerão, que vai sediar o jogo de abertura da Copa do Mundo

São Paulo – Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e de outros movimentos socais fizeram passeatas e ocuparam sedes de construtoras na capital paulista hoje (8). Eles são contra os gastos públicos com a Copa do Mundo e consideram essas empresas símbolo desses gastos.

Os militantes do MST saíram em marcha junto com os integrantes do coletivo Resistência Urbana, no Metrô Butantã e se dividiram em grupos que protestaram em três empresas: a Odebrecht, na Marginal Pinheiros, próximo à Ponte Eusébio Matoso, a AOS Empreendimentos, na Avenida Angélica, centro, e a Andrade Gutierrez, na Rua Doutor Geraldo Campos Moreira, no Brooklin.

A Odebrecht foi a responsável pela construção do Itaquerão, estádio do Corinthians que vai sediar o jogo de abertura da Copa do Mundo em São Paulo, no dia 12 de junho. Aproximadamente 100 militantes jogaram tinta e utilizaram sprays, fizeram pichações e chegaram a entrar no saguão do escritório da empresa. Na AOS Empreendimentos, cerca de 100 manifestantes colaram cartazes e também entraram por alguns minutos no saguão. Já na Andrade Gutierrez, 50 pessoas participaram do ato.

Odebrecht ganha bilhões com a Copa em cima do sangue de operários e do dinheiro de todos nós”, diz um das faixas do grupo. Em outro cartaz, a foto do diretor-presidente da empresa é divulgada com a frase “Fora, Odebrecht”. Por volta das 11h, o movimento foi encerrado.

Para Kelly Maffort, integrante da direção nacional do MST, um dos impeditivos para a reforma agrária no país é a designação de um orçamento de apenas 0,15% para essa finalidade. “Esse número é extremamente baixo e cai a cada ano, mas o Estado brasileiro tem se dedicado a grandes investimentos em grandes eventos, como a Copa”, declarou. Ela critica também o fato de que os recursos públicos estejam sendo destinados para empresas.

Em relação à Odebrecht, Kelly destacou que a empresa, embora seja mais conhecida pelos empreendimentos na área de construção civil, também está ligada ao agronegócio por meio da empresa ETH, que atua no setor sucroalcooleiro, como ocorre no Pontal do Paranapanema, extremo oeste do estado. A região é conhecida por conflitos agrários relacionados à grilagem de terra.

Segundo Guilherme Boulos, coordenador nacional do MTST, as ações fazem parte da abertura da campanha Copa sem Povo, Tô na Rua de Novo. “Vai ter mobilizações semanais dos movimentos populares urbanos para denunciar os abusos e as medidas impopulares feitas em relação à Copa”, disse ele.

Em nota, a Odebrecht lamentou a invasão e disse que a fachada e a recepção foram pichadas e alvo de vandalismo. A empresa diz que respeita qualquer manifestação pacífica, mas repudia esse tipo de ação. Para preservar a integridade dos funcionários, a construtora reforçou a segurança e pediu ajuda da polícia.

A Andrade Gutierrez informou que respeita toda e qualquer manifestação pública pacífica e entende que isso representa o exercício da democracia. “No entanto, a companhia lamenta e repudia atos de vandalismo e violência”, diz o comunicado.

Já a assessoria de imprensa da AOS Empreendimentos ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Estava previsto para hoje um ato no estádio, durante a visita da presidenta Dilma Rousseff. A atividade, no entanto, foi suspensa, porque, segundo o MTST, o governo federal se comprometeu a receber o movimento. “A pauta são as mudanças no Programa Minha Casa, Minha Vida, medidas de prevenção de despejo forçado no país e uma nova lei do inquilinato”, enumerou Boulos.

Copa do Povo

As mais de 2,8 mil famílias sem-teto que ocupam, desde o último sábado (3) um terreno em Itaquera, zona leste paulistana, prometem resistir à ação de reintegração de posse determinada ontem (7) pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. A liminar, concedida pelo juiz Celso Maziteli Neto, autoriza a expedição de um mandado de despejo, caso eles não deixem o local voluntariamente em 48 horas. O MTST disse, por meio de nota, que vai recorrer da decisão em favor da Viver Incorporadora, “por considerá-la injusta e descriteriosa”.

Para o movimento, a medida desconsidera o fato de que a área está abandona há anos e, portanto, não cumpre função social. O MTST promete não sair da área até que haja negociação para uma solução habitacional digna para as famílias. Em caso de despejo forçado, o movimento promete resistir. “Não queremos outro massacre do Pinheirinho. Nem que a imagem da Copa do Mundo no Brasil seja definitivamente marcada por um conflito violento e massacre de trabalhadores sem-teto”, diz a nota.

A ocupação foi batizada de Copa do Povo, porque fica a apenas quatro quilômetros do estádio do Corinthians, o Itaquerão, que vai sediar a abertura dos jogos. “Escolhemos esse terreno justamente para dialogar com esses contrastes da Copa do Mundo. Bilhões são gastos com o evento e do outro lado temos milhares de pessoas sem moradia”, explicou Josué Rocha, integrante do MTST. Ele destaca que o evento fez com que o preço dos aluguéis duplicasse, aumentando ainda mais o déficit habitacional na região.

O prefeito Fernando Haddad disse, na segunda-feira (5), que avalia a possibilidade de transformar o terreno em área de interesse social por meio do Plano Diretor, que ainda vai ser votado em segunda discussão na Câmara de Vereadores. A assessoria do vereador Nabil Bonduki, relator do plano, informou que o atual zoneamento define a área como predominantemente industrial. Disse ainda que essa alteração é possível por meio de emenda, mas que é necessária uma análise técnica sobre a viabilidade de um projeto habitacional no local.

A Viver Incorporadora informou, por meio de nota, que o terreno em questão é de sua propriedade e que não existe inadimplência de impostos em relação à área.

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