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Inclusão

A 66 dias do pontapé inicial da Copa, Nicolelis exibe exoesqueleto em funcionamento

Cientista brasileiro lidera pesquisa pioneira de tecnologia que vai ajudar portadores de deficiência a voltar a andar; teste decisivo será o ponta pé inicial na abertura da Copa
por Diego Sartorato, da RBA publicado 07/04/2014 13h12, última modificação 07/04/2014 14h24
Cientista brasileiro lidera pesquisa pioneira de tecnologia que vai ajudar portadores de deficiência a voltar a andar; teste decisivo será o ponta pé inicial na abertura da Copa
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As pernas mecânicas do exoesqueleto dão os primeiros seis passos no laboratório da equipe de Nicolelis

São Paulo – O neurocientista Miguel Nicolelis postou hoje (7) nas redes sociais o primeiro vídeo do protótipo, em funcionamento, de exoesqueleto que está sendo produzido para que um portador de deficiência física dê o pontapé inicial da Copa do Mundo. Em pouco mais de um minuto, as pernas artificiais dão os primeiros seis passos, ainda por conta própria, sem o acompanhamento de um dos oito pacientes que ajudam a testar o sistema. "Os pacientes já estão trabalhando com o exoesqueleto há quase um mês. Ainda nesta semana, iremos postar mais vídeos mostrando o progresso deles", antecipa Nicolelis, em seu perfil no Facebook.

A um internauta, o cientista afirmou que os testes já estão avançados: "Você vai se surpreender com o progresso, fruto da determinação de todos os pacientes e das nossas equipes clínica, científica e de engenharia."

O projeto Andar de Novo, uma parceria entre a Universidade Duke (EUA), onde o brasileiro dirige um laboratório, e instituições de Lausanne (Suíça), Berlim e Munique (ambas na Alemanha), Natal e São Paulo, é liderado por Nicolelis. Ao todo, estão envolvidos aproximadamente 100 cientistas americanos, europeus e brasileiros. Trata-se do primeiro equipamento com interface direta com o cérebro humano, permitindo o funcionamento das pernas mecânicas independentemente de botões, alavancas ou comandos de voz para funcionar. Basta a leitura dos sinais elétricos do cérebro do usuário.

O projeto, que vem sendo criticado por cientistas mais conservadores, tem aprovação da Fifa, que tem colaborado com Nicolelis.  Em nota, a entidade afirmou estar "trabalhando em estreita colaboração com a equipe do professor Nicolelis para mostrar ao mundo, pela primeira vez, durante a cerimônia de abertura da Copa do Mundo, um adolescente com paralisia andar em campo”. O secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, comentou ainda que “futebol tem a ver com esperança, e antever um futuro em que milhões de pessoas com paralisia possam experimentar a alegria de andar de novo é uma preocupação que a FIFA e eu mesmo apoiamos integralmente”.

O projeto Andar de Novo é desenvolvido por um consórcio internacional, liderado no Brasil pelo IINN-ELS (Instituto Internacional de Neurociências de Natal – Edmond e Lily Safra) e conta com a parceria da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), onde está sediado o laboratório.

Em 2009, Nicolelis foi o primeiro cientista a conectar os cérebros de dois ratos de laboratório por meio de uma interface virtual e permitir a comunicação direta entre eles, criando as bases práticas para o exoesqueleto e para a criação do "computador biológico", produzido a partir de neurônios.

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