Violações

Sobe para 19 número de jornalistas vítimas da PM durante protesto em São Paulo

Levantamento da Abraji identificou mais cinco casos. Agora são 62 vítimas desde junho. Sindicato realiza plenária nesta sexta para discutir violência. Corregedoria abre investigação

EFE/Sebastião Moreira
protesto sp 22 fev EFE Sebastião Moreira.jpg

No último sábado, PM estreou técnica utilizada na Europa, deteve e agrediu jornalistas e manifestantes

São Paulo – A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) somou hoje (26) mais cinco casos aos 14 registros de violência contra jornalistas perpetrados pela Polícia Militar de São Paulo durante cobertura do último protesto contra a Copa do Mundo no centro da capital. Com isso, sobe para 19 o número de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas que tiveram suas liberdades profissionais cerceadas pela PM no último sábado (22), seja por detenções, agressões ou danos a equipamentos de trabalho.

As novas ocorrências contabilizadas pela entidade se referem ao repórter Mário Bentes, do Jornal GGN, atingido na perna por estilhaços de uma bomba disparada pelos policiais; Nelson Antoine, freelancer, cuja câmera foi danificada pela tropa; Aloísio Maurício, da Brazil Photo Press, vítima de cassetetes; Adriano Conter, da revista Veja, golpeado nas costas; e Diógenes Muniz, também da Veja, que denuncia em sua própria reportagem a agressão que sofreu enquanto gravava imagens da repressão policial. Com mais esses casos, já são 62 os membros da imprensa que foram presos ou apanharam das forças de segurança na capital paulista desde as jornadas de junho. Em 36 casos, as agressões ou detenções ocorreram mesmo após o profissional ter se identificado como tal.

Leia também:

“São Paulo mostra-se a cidade mais violenta para repórteres em cobertura de manifestações”, atestou a Abraji em nota publicada na segunda-feira (24). No texto, a entidade “lamenta, mais uma vez, que jornalistas sejam detidos e agredidos enquanto realizam seu trabalho durante a cobertura de manifestações de protesto”. E lembra que “tentar impedir o trabalho da imprensa é atentar contra o direito da sociedade à informação e, em última análise, contra a democracia”. Os novos casos fazem com que as forças policiais passem a ser responsáveis por 91% das agressões à imprensa durante os protestos que começaram no ano passado em São Paulo.

Respostas

Diante dos casos recorrentes de agressões e da falta de punição aos responsáveis pelo cerceamento do trabalho da imprensa, entidades de classe convocaram para sexta-feira (28) uma plenária para debater a violência contra jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos durante manifestações. As discussões terão lugar no auditório do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, que organiza o debate em conjunto com a Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Estado de São Paulo (Arfoc).

Insatisfeitos com os pedidos de desculpas do comandante da PM, os diretores do sindicato enviaram na segunda-feira ofício ao Palácio dos Bandeirantes solicitando uma reunião para debater o assunto pessoalmente com o governador Geraldo Alckmin (PSDB). Ainda não houve resposta. Apesar das agressões aos profissionais da imprensa e da “prisão para averiguação” de 262 manifestantes, o tucano parabenizou a operação policial. “A PM agiu com rapidez e inteligência e cercou os vândalos organizados antes que se espalhassem e provocassem depredações”, disse, no Twitter.

De acordo com informações do jornal O Estado de S. Paulo, a Corregedoria da Polícia Militar, responsável por elucidar denúncias sobre abusos na corporação, abriu na segunda-feira investigação para apurar eventual responsabilidade de policiais na agressão aos jornalistas. Procurada pela RBA para esclarecer dúvidas sobre o andamento das apurações, a assessoria de imprensa da PM se recusou a responder os questionamentos.