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Natal

Com catadores, Dilma diz que luta social está na origem de seu governo

'É a terceira vez que estou com vocês', afirma presidenta a representantes da população de rua. 'Meu governo olha para vocês como cidadãos do nosso país'
por Tadeu Breda, da RBA publicado 19/12/2013 14h43, última modificação 20/12/2013 10h46
'É a terceira vez que estou com vocês', afirma presidenta a representantes da população de rua. 'Meu governo olha para vocês como cidadãos do nosso país'
Roberto Stuckert Filho/Planalto
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Esta foi a terceira vez que Dilma foi à festa de fim de ano dos catadores, uma tradição iniciada por Lula

São Paulo – A presidenta Dilma Rousseff afirmou hoje (19) em São Paulo que as lutas sociais estão na raiz dos governos do PT, e frisou que sua gestão está comprometida com os movimentos sociais. “Nós continuamos mantendo um compromisso firme com os movimentos sociais.”

Com uma comitiva de nove ministros, Dilma compareceu ao Centro de Exposições do Anhembi, na zona norte da capital, para a 4ª edição da Expocatadores, feira de negócios e troca de experiências para a gestão eficiente dos resíduos sólidos produzidos no país. Na ocasião, também comemorou o Natal Solidário com duas das parcelas mais excluídas da sociedade brasileira.

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“É importante que a presidenta da República tenha o compromisso anual de ser recebida pela população de rua e também pelos catadores de materiais recicláveis”, afirmou Dilma, dizendo-se honrada por seguir a tradição inaugurada em 2003 pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “É a terceira vez que estou com vocês. Meu governo olha para vocês como cidadãos do nosso país.”

Com discurso menos combativo que no ano passado, quando falou duramente contra a violência que atinge a população de rua, Dilma afirmou que o governo deve ter atenção especial com suas demandas. “Vocês têm um papel a cumprir no país, e sempre serão pessoas capazes de ajudar o Brasil a se desenvolver e a melhorar”, elogiou.

A Expocatadores é organizada em conjunto pelo Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e pelo Movimento Nacional da População de Rua (MNPR), além de contar com apoio de ONGs, empresas e poder público. Como a presença de governantes já se tornou uma tradição, a feira é também uma oportunidade para apresentar reivindicações sociais.

Em 2013, o MNCR apresentou uma carta à presidenta, em que agradece pelas conquistas graças ao empenho do governo. “Se somarmos todos os recursos investidos pelo governo federal, obteríamos mais de R$ 590 milhões em processos de estruturação, organização e formação de catadores”, afirma o documento.

“Só temos sido reconhecidos pelas prefeituras do país por causa da força do governo federal, que obriga a destinação de recursos ao envolvimento dos catadores nos programas de reciclagem”, explica Roberto Laureano da Rocha, membro da coordenação do MNCR. “Queremos que esses recursos continuem sendo destinados, porque ainda temos muito a avançar. Ainda temos muitos catadores morando nas ruas e os lixões.”

Como fez no ano passado, o MNPR também lembrou a atenção especial do governo para suas demandas ao entregar uma carta de 13 pontos à presidenta. As principais reivindicações do movimento são a manutenção do centro nacional de defesa dos direitos humanos para a população de rua, inaugurado em Belo Horizonte, e a implementação de programas habitacionais em Fortaleza.

“Ainda existe uma defasagem muito grande em relação às nossas reivindicações, porque a população de rua foi esquecida por décadas”, lembrou o coordenador do a MNPR, Samuel Rodrigues, lembrando que 308 pessoas em situação de rua foram assassinadas este ano. “Ainda há prefeituras que fazem as chamadas campanhas antimendigo, reforçando o estigma. Precisamos do empenho do governo federal para romper com isso.”

Dilma prometeu que os pedidos serão analisados, “como sempre têm sido”, pelos ministros Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República, Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, e Tereza Campello, do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome. “Meu governo sabe que os movimentos sociais são imprescindíveis para a democracia”, destacou. “Ainda há muito o que melhorar. Precisamos de diálogo para melhorar.”

A presidenta assinou decreto instituindo o Programa Nacional de Apoio ao Associativismo e Cooperativismo Social (Pronacoop Social), com a finalidade de coordenar e executar as ações voltadas ao desenvolvimento das cooperativas sociais e dos empreendimentos econômicos solidários sociais. Ministros também firmaram convênios no valor total de R$ 18 milhões para inclusão social e produtiva dos catadores e da população em situação de rua.

De acordo com a Secretaria-Geral da Presidência da República, as parcerias vão capacitar a população em situação de rua para o trabalho e a geração de renda (R$ 1,9 milhão), fortalecer empreendimentos solidários de catadores no Amazonas (R$ 7,35 milhões), promover a inclusão social da população em situação de rua no município de São Paulo (R$ 5,43 milhões) e fortalecer cooperativas com a aquisição de equipamentos para as unidades de recuperação de recicláveis (R$ 3,35 milhões).