Mensalão

Frei Betto: ‘Espetáculo com a dor alheia é tripudiar sobre a dignidade humana’

Colunista da Rádio Brasil Atual diz que espetacularização da prisão de Genoino e Dirceu deveria acelerar debate sobre democratização da mídia e também reflexão sobre os rumos a serem seguidos pelo PT

© Pedro Ladeira / Folhapress
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Esposa e filhos de Genoino são recebidos por militantes em acampamento em frente à Papuda

São Paulo – O assessor de movimentos sociais e escritor Frei Betto, comentarista da Rádio Brasil Atual, afirmou hoje (25) que considera desproporcional e injusta a maneira como estão sendo tratados os réus condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento da Ação Penal 470, o chamado “mensalão”. Além disso, ele disse desaprovar a “espetacularização” feita ao redor da prisão de figuras como José Genoino e José Dirceu.

“Devo dizer que considero ilegal, injusta e despropositada a maneira como eles foram detidos, na data da Proclamação da República. Fazer espetáculo com a dor alheia é tripudiar sobre a dignidade humana”, afirmou. Para Frei Betto, esta é mais uma oportunidade para se pensar sobre a urgente necessidade de democratização dos meios de comunicação.

“Aliados do governo acusam a grande mídia de conivência com a espetacularização do julgamento. Por que o Planalto então não dá andamento a projetos de regulamentação e democratização da mídia brasileira? Por que não se impede a formação de oligopólios de comunicação? Por que a publicidade financiada pelo governo federal privilegia exatamente veículos de mídia que fazem oposição ao Planalto?”

Outro aspecto apontado como urgente pelo escritor foi uma ampla reforma política.“Empreiteiras, bancos e mineradoras são as principais fontes de campanhas eleitorais. Espero que a reforma política, quando vier – e vamos torcer para que isso aconteça –, impeça candidatos de receberem dinheiro de pessoas jurídicas como empresas e bancos, e que só seja permitido doações de pessoas físicas, limitadas a um salário mínimo.”

Ainda segundo ele, a reforma política possibilitaria um afastamento do governo federal de setores mais conservadores da sociedade. “Como o governo do Partido dos Trabalhadores pode se dar tão bem com gente que é do patronato brasileiro, e ao mesmo tempo mantém relações tensas com os movimentos sociais, como é caso dos movimentos dos indígenas e dos sem terra? Fora o PSDB e poucos partidos, todos os setores conservadores da sociedade brasileira hoje apoiam o governo federal”, criticou.

Ouça aqui o comentário de Frei Betto na Rádio Brasil Atual.