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Governo federal condena vandalismo, mas diz querer entender black blocs

Gilberto Carvalho acredita que fenômeno necessita de respostas efetivas que passam pela compreensão de suas origens. José Eduardo Cardozo quer comissão contra quebra-quebra
por Redação RBA publicado 29/10/2013 19h49
Gilberto Carvalho acredita que fenômeno necessita de respostas efetivas que passam pela compreensão de suas origens. José Eduardo Cardozo quer comissão contra quebra-quebra
Marcelo Camargo/Agência Brasil
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A morte de mais um jovem pela PM, desta vez no Parque Novo Mundo, levou a protestos dos moradores

São Paulo – O governo federal deu declarações conflitantes sobre a atuação dos black blocs nas manifestações populares de São Paulo e Rio de Janeiro – que só faz crescer. A administração Dilma Rousseff é favorável à atuação policial contra o grupo. Porém, enquanto o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, afirma que é preciso compreender o fenômeno dos black blocs em vez de simplesmente criminalizá-lo, como vem ocorrendo desde as jornadas de junho, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciou que se reunirá com os secretários paulista e fluminense de Segurança Pública para endurecer o combate ao vandalismo.

“Estamos em diálogo com a polícia, com as autoridades dos estados e também com a sociedade, com os movimentos juvenis, buscando ter rapidamente esse diagnóstico, porque a simples criminalização imediata não vai resolver”, disse Gilberto Carvalho, de acordo com a Agência Brasil. “A linguagem aparente – insisto, aparente – é muito a da destruição, da negação. Agora nós precisamos de alguma forma ter alguma ponte. Estamos buscando com muita força esse diálogo para que consigamos achar uma saída eficaz, porque a repressão é necessária, mas só reprimindo não vamos resolver na profundidade o problema.”

Na falta de uma “saída eficaz” à vista, o ministro da Justiça anunciou medidas bastante conhecidas dos manifestantes, sobretudo no Rio de Janeiro: quer organizar uma força-tarefa que envolva secretarias de Segurança Pública, polícias militar e civil, polícia federal, Ministério Público e o Judiciário para “evitar os atos de vandalismo”. O governador fluminense, Sérgio Cabral (PMDB), fizera algo parecido para conter o quebra-quebra de vidraças e bancos durante os protestos na capital, em julho e agosto. Com a Comissão Especial de Investigação de Atos de Vandalismo em Manifestações Públicas (Ceiv), Cabral tentou até mesmo quebrar, sem ordem judicial, os sigilos telefônicos dos acusados.

“Essa situação não se confunde com o abuso da liberdade de manifestação, com a depredação, com o vandalismo. Infelizmente, isso tem ocorrido de forma recorrente em várias cidades, o desvio daquilo que seria uma manifestação pacífica por alguns elementos, algo que não podemos aceitar”, disse Cardozo, ao anunciar que se reunirá na próxima quinta-feira (31) com os secretários de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, e do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame. “Queremos uma política de segurança pública que garanta a manifestação, mas não permita o vandalismo.”

As declarações dos ministros vêm na esteira da agressão sofrida na última sexta-feira (25) pelo coronel da PM paulista, Reynaldo Simões Rossi, por homens mascarados durante uma manifestação pela tarifa zero no transporte público na cidade. No dia seguinte, o comando da polícia militar prometeu vingança. No domingo (27), um soldado assassinou à queima-roupa, com um tiro no peito, um adolescente num bairro da periferia de São Paulo. Hoje, outro jovem foi assassinado pela polícia, também na zona norte da capital. De acordo com a Agência Efe, o rapaz foi baleado por um policial que reagiu à tentativa de assalto dele e de outro menor.

A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo publicou hoje (29) nota de solidariedade e apoio à família de Douglas Martins Rodrigues, jovem assassinado no último domingo pela PM. “A trágica morte ocorreu 48 horas após a Prefeitura lançar o Plano Juventude Viva, que tem como objetivo enfrentar os altos índices de homicídios entre a juventude negra de periferia”, diz o texto. “A atuação beligerante da Polícia Militar em relação à juventude, principalmente na periferia de São Paulo, é significativa nas elevadas estatísticas referentes à morte da juventude no Brasil e na capital paulista.”

Hoje, os moradores do Parque Novo Mundo, na zona norte da capital paulista, bloquearam a Avenida Tenente Amaro Felicíssimo da Silveira. A manifestação foi em protesto pela morte de um adolescente, de 17 anos, por um policial militar. A versão oficial das forças de segurança é de que o agente apenas reagiu a um assalto, quando passava de carro pela comunidade Bela Vista, também na zona norte. Segundo a PM, para fugir dos assaltantes, ele acelerou o veículo, mas os desconhecidos atiraram em sua direção. O policial então sacou da arma e disparou na direção dos homens. Um deles, um menor de idade, foi atingido e morreu.