Secretário de Cultura de SP diz que rapazes do Fora do Eixo estão sendo linchados

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Ferreira: “Há institutos ligados a grandes instituições que captam R$ 60 milhões por ano da Lei Rouanet”

São Paulo – Para Juca Ferreira, secretário da Cultura da Prefeitura de São Paulo, e ex-secretário-executivo do Ministério da Cultura na gestão Gilberto Gil, os rapazes da Casa Fora do Eixo estão sendo submetidos a um linchamento sem sentido.

Um dos formuladores da política de Pontos de Cultura – pela qual foram distribuídos equipamentos de aúdio e vídeo para inúmeras comunidades no país –, Ferreira aponta um conjunto de exageros nos ataques ao grupo. “Em sete anos, captaram pouco mais de R$ 1 milhão de lei Rouanet”, diz ele. “Há institutos ligados a grandes instituições que captam R$ 60 milhões por ano”. Nesse período, o Fora do Eixo fez mais shows e gravou mais discos que todas as “majors”, as grandes gravadoras multinacionais que dominam o mercado brasileiro.

Gaby Amarantos, apelidada de “a primeira dama da favela”, nasceu em eventos do Fora do Eixo. Juca reconhece que os cachês são uma “merreca”, mas os shows dão visibilidade e ajudaram a estruturar uma rede alternativa, no momento em que o modelo tradicional se esboroava.

Psicologia dos coletivos

Juca conheceu o grupo em um seminário internacional sobre cultura digital, em São Paulo, com representantes da Escandinávia, Inglaterra e Estados Unidos. Acompanhou os debates iniciais, dirigiu-se à mesa e, antes de chegar, voltou-se para trás a apontou para um dos participantes: “Você é o mais sabido de todos”. Era Capilé, que se tornou o inimigo número um da cultura, da mídia e do ativismo político paulistano.

Aos 21 anos, Juca morou em um coletivo na Suécia e conhece bem a psicologia interna e os problemas dos coletivos. Existem as pessoas de personalidade mais forte, que dominam a discussão; as mais fracas que transferem a decisão para terceiros; os envolvimentos amorosos. “Tudo isso faz parte da experiência de vida dos coletivos”, explica ele. Hoje em dia, a comunidade mora perto do Polo Norte, cria cavalos suecos e vive sem energia elétrica.

No caso da Casa do Eixo, há toda a parafernália e conflitos de todo o coletivo. “Mas são rapazes honestos e criativos”, atesta Juca. “Por isso mesmo, deveriam estar enaltecendo seus acertos, em vez de criminalizar pecados menores”.